A relação entre irmãos é única e muito especial, com uma troca de carinho e experiências que pode durar a vida toda. No entanto, ela nem sempre começa fácil: da gestação ao convívio na infância, ela pode ser marcada pelo ciúme e pela competição. Para te ajudar, trazemos as dicas para incentivar o amor entre as crianças e fazer com que a chegada do bebê seja vista como uma alegria pelo mais velho.

 

“Quando a criança é filha única existe um sentimento bem ambivalente, boa parte fica feliz de poder ter um irmão por conta da ilusão de brincar, dividir e compartilhar coisas desse mundo da fantasia, enquanto outras têm o ciúme e o medo de perder uma posição privilegiada nessa família. O mais comum é que ela tenha essa dificuldade de aceitar o outro na primeira infância, já que mais para frente, quando ela já brinca com autonomia e vai à escolinha, ela tem um registro de prazer de brincar com outras crianças e estar ao lado de um par”, explica a psicóloga Ana Canosa. O amor e a amizade entre irmãos nasce e se desenvolve com o contato e o tempo, no entanto, os pais podem estimular estes sentimentos oferecendo o suporte necessário para que eles lidem com questões como o ciumes e a competição –  que podem estar presentes antes mesmo do nascimento do mais novo.

Na gestação

Vai contar ao seu primeiro filho que ele vai ter um irmãozinho? Então é hora de ser sincera: “Muitos pais dizem que o mais velho vai ajudar a tomar conta ou brincar com o irmão, e são duas promessas que atrapalham. As crianças são imediatistas, e elas tendem a achar que vão poder brincar com a outra assim que ela nascer ou que vão ter trabalho com essa chegada. O melhor é que os pais expliquem que ele será pequenininho, não poderá brincar ou falar por um tempoe que como irmão mais velho ele não terá nenhuma responsabilidade extra naquele momento”, aconselha Adriana Severine, especialista em psicologia cognitiva comportamental para crianças e adolescentes.

Incluir o filho mais velho na rotina da gestação reforça o amor. Foto: NataliaDeriabina/iStock

O dia a dia dessa gestação também será muito importante para reforçar a positividade e o elo de amor entre os dois, então o melhor mesmo é incluir o seu mais velho em todo o processo para que ele já comece a criar um vínculo de afeto e cuidado com o irmãozinho. “Agora que temos ultrassonografias bem modernas é legal mostrar para o primogênito essas imagens do bebê crescendo, deixar que ele vá a uma sessão e até comparar com o dele próprio se você ainda tiver. Também é legal ter um calendário para mostrar o mês que vocês estão e o da chegada do irmão, fazendo uma contagem regressiva para que ele entenda esse tempo”, indica.

Preocupada com a chegada dos presentinhos para o bebê? O importante aqui é agir com naturalidade e transparência, fazendo a criança perceber que existirão momentos que serão seus e outros que serão do irmão. “Muitas vezes os pais dão um presente para o mais velho toda vez que alguém traz algo para o bebê ou quando compram alguma parte do enxoval, mas isso não é indicado. O melhor é explicar para a criança que quando ela estava na barriga da mãe também ganhou muitos presentes  e que aquelas são as coisas e a vez do irmão – isso será útil no futuro em situações como o aniversário de um e de outro, por exemplo. Um irmão é alguém que vai dividir tempo, espaço e experiências, e o primeiro filho precisa ir acostumando com essa nova realidade aos pouquinhos”, conta.

No primeiro ano do bebê

Irmão deve entender que o bebê precisa de cuidados e que isso é temporário. Foto: ChristinLola/iStock

Mesmo que o seu pequeno esteja muito animado com a chegada de uma nova criança em casa, a verdade é que esse primeiro momento pode ser bastante estressante para ele, isso porque ainda não é possível brincar e o choro e necessidade da mãe são mais constantes. “O bebê chora muito e precisa da mãe o tempo todo, então é importantemostrar para a criança mais velha que ele precisa dessa ajuda porque não sabe falar, andar e que isso é temporário. Fica muito mais fácil de entender quando os pais lembram que ele já foi assim, e isso dá uma referência para compreender que não é exclusividade do irmãozinho e que não será assim para sempre”, esclarece Adriana.

O cansaço e os cuidados com o bebê também podem te afastar um pouco dos mais velhos, algo natural, mas que precisa ser compensado aos pouquinhos para que não reste nenhuma mágoa e ele possa aproveitar o irmãozinho sem o sentimento de ter “perdido” os pais. “É preciso dar importância a todos os momentos com esse mais velho, aproveitando aquelas janelas do dia que vocês conseguem estar sozinhos para conversar e ter um tempo gostoso. Se o pai vai à farmácia ou mercado, por exemplo, é aconselhável levar o filho junto para que ele vá criando um espaço que é só dele. Esses minutinhos ao lado dos pais são ótimos para a criança e, apesar de vocês estarem cansados, o que é feito nessa fase se reflete por toda a vida”, aponta.

A infância

Competição é saudável e natural. Foto: vadimguzhva/iStock

No decorrer da infância é normal que os irmãos desenvolvam uma relação de amizade e de muita brincadeira, no entanto, esses momentos gostosos e de cumplicidade são intercalados pela competição natural entre mais velho e mais novo. “A competição equilibrada é boa para as crianças, e os pais precisam de cuidado para intervir. É muito comum que tudo vire um joguinho de quem manda, como escolher o que passa na televisão, quais as regras das brincadeiras, quem controla o vídeo game e daí por diante. O papel dos pais nessas horas é colocar regras para que eles consigam disputar de maneira justa e que cada um controle uma vez, sem privilégios. Se o mais velho sempre leva a vantagem por isso, ou o mais novo acaba sendo favorecido toda vez que chora, eles acabam achando que existe um favoritismo e competindo de maneira mais acirrada e não saudável”.