A depressão pós-parto é um transtorno do humor que pode surgir durante a gestação ou após o nascimento do bebê

O nascimento do bebê é um acontecimento para ser festejado pela mamãe e pela família, é tempo de fazer muitos planos. Mas, algumas vezes, não acontece da forma como a maioria das pessoas imagina. São os casos de depressão pós-parto, em que, algum tempo depois da chegada do pequeno, a alegria dá lugar à tristeza, sensação de vazio e angústia.

A psicóloga Luciana Rocha, especialista nos universos materno e infantil e autora do programa Tons da Maternidade, explica que a depressão pós-parto é caracterizada por qualquer episódio depressivo que se apresente durante a gestação ou após o parto.

Segundo ela, os maiores riscos para os filhos de uma mãe depressiva são relacionados ao desenvolvimento neurocognitivo e psicomotor. São crianças que recebem menos estímulos e, por isso, apresentam atrasos importantes em seu desenvolvimento. Além de possuem maiores riscos de desenvolverem sintomas depressivos e déficits de aprendizado no futuro.

Mas um dos principais problemas é o fato de culparem e julgarem a mãe por toda essa situação. “Eu percebo que a depressão pós-parto ainda provoca algumas crenças errôneas, como se a mulher deprimida fosse incapaz de cuidar de seu bebê ou colocasse sua vida em risco ou isso a desqualificasse enquanto mãe. Todas essas crenças são baseadas em mitos. A mulher pode sim ter alguma dificuldade em cuidar sozinha do bebê, mas, na realidade, nenhuma mulher deveria ter que cuidar sozinha do seu bebê. Além disso, somente os casos mais graves colocam a vida em risco, seja da mãe ou do bebê – em geral, esses casos são fáceis de serem percebidos e admitidos, que requerem maior cuidado. E nenhuma mãe deveria ser desqualificada para cuidar de seu filho, se não for de seu interesse consciente. Não existe mãe melhor ou pior que outra mãe. Isso precisa ficar claro. Uma mãe adoentada requer cuidados para que possa continuar sendo para si e para seus filhos”, esclarece a psicóloga.

Quais os sintomas da depressão pós-parto?

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Algumas características gerais podem ajudar a perceber que uma mulher está com depressão pós-parto. “Costumo falar que a depressão pós-parto tem três manifestações típicas e que requerem atenção diferenciada: a mulher que não consegue cuidar do bebê, que se sente tão incapaz e tão impotente que prefere não chegar perto dele, no intuito de protegê-lo; o oposto desse caso, que é a mulher que superprotege o bebê e que acredita que somente ela é capaz de compreender e suprir as necessidades dele, impedindo o contato de qualquer outra pessoa, inclusive o pai; e a terceira, que é a mais comum e a mais difícil de ser percebida, pois é um meio termo, a mulher que cuida do bebê como deveria, aparentemente, mas não se sente bem e apresenta sintomas típicos da depressão”, explica Luciana Rocha. Dentro destes quadros, os principais sintomas são:

Humor deprimido: Tristeza constante, mesmo sem razão aparente. Mesmo estando tudo bem, a mulher não se sente bem, feliz ou tranquila. É como se estivesse sobrecarregada, tensa, preocupada e triste por todo o tempo ou na maior parte do tempo.

Desânimo: Falta de ânimo, falta de energia para a realização das atividades, mesmo as mais simples e corriqueiras, ou àquelas que eram comuns ou tinham interesse anteriormente.

Perda de prazer: Não se interessa mais para as atividades que se interessava antes, não se realiza ou se satisfaz. Faz o que é preciso e porque é preciso somente, cumpre com as obrigações.

Cansaço: Sensação constante de cansaço e falta de energia. Ao menor esforço, encontra-se imensamente cansada. A sensação de cansaço não é diretamente proporcional ao esforço realizado.

Falta de concentração: Não tem energia suficiente para manter-se concentrada ou com a atenção focada pelo mínimo tempo sequer.

Alteração do sono e apetite: Insônia e excesso de sono são relatados frequentemente. Sono durante o dia e insônia, nas noites. O apetite também é afetado, em geral, pela falta de interesse pelos alimentos, mas pode acontecer também o oposto.