A amamentação é um momento especial e muito importante para mamãe e bebê, mas também cheio de desafios: com toda a pressão e vontade de fazer o melhor pelo seu pequeno, é comum encontrar percalços que te levam a cogitar desistir dela. Descubra o que mais influencia negativamente no aleitamento, e o que você pode fazer em cada caso.

 

O estresse

Estresse é comum na amamentação e pode bloquear a produção de leite. Foto: Highwaystarz-Photography/iStock

Mesmo com a alegria da chegada do primeiro filho, esse período de adaptação pode gerar angústia e até estresse, um grande vilão da amamentação. “O estresse afeta muito a produção de leite, e dependendo do motivo desse estresse ele pode até bloquear essa produção. Por exemplo, se a mãe está perto de voltar a trabalhar, o nervoso de como equilibrar essa situação com o aleitamento pode te levar a não ter mais leite. Como não podemos usar a medicina tradicional, com uso de medicamentos, a mulher precisa entender seu estresse e encontrar o caminho individual para lidar com ele da melhor maneira possível, seja fazendo atividades que a relaxam ou buscando pela terapia”, explica a ginecologista e obstetra Célia Beatriz David, formada pela Universidade de São Paulo.

Rachaduras e dor nas mamas

A dor ao dar de mamar é outro motivo frequente para o abandono da amamentação, e pode ser driblada. “A saliva do bebê tem enzimas que amolecem a pele do mamilo e da aréola, e para que isso não aconteça é preciso se preparar durante toda a gestação, fazendo com que essa pele fique mais grossa. São usados exercícios de atrito e cremes hidratantes próprios que vão evitar o enfraquecimento e as fissuras durante a pega. Para quem já está com o problema, existem cremes e pomadas para trata-las que devem ter uma rodinha de filme plástico colocada por cima para melhorar essa absorção, além dos banhos de sol, que também criam resistência. É preciso cuidar e ter persistência, porque tende a melhorar bastante”, conta.

Pega incorreta

Pega correta deve ser ensinada ainda na maternidade. Foto: Zurijeta/iStock

As pessoas tendem a ver a amamentação como um processo tranquilo e totalmente natural, como se a mãe e a criança nascessem com o instinto de fazê-la funcionar. Na prática, no entanto, não é assim: a pega errada é uma realidade que afeta não só a produção de leite – que pode ser menor ou até muito maior que o necessário – e até ocasiona lesões dolorosas. “A mulher deve ser orientada ainda na maternidade, aprendendo a amamentar corretamente e ter esse problema resolvido (algo que o pediatra também pode ensinar caso isso não tenha sido feito). É mito dizer que existem posições que vão mudar e deixar tudo muito mais simples, a mãe precisa encontrar a que é mais fácil para ela e que funcione para o seu bebê, é um processo de tentativa e erro e isso é normal. Não desanime”, esclarece.

Leite “empedrando”

Mamas não podem ficar muito cheias. Foto: Pilin_Petunyia/iStock

O bebê não dá conta de esvaziar a mama? Isso é muito comum no início, já que alguns bebês tendem a se alimentar um pouquinho por vez e caem no sono durante a amamentação: “o que acontece não é que ele empedra, na verdade os dutos mamários são pressionados pelo excesso de leite e a saída fica difícil. É preciso retirar o leite quando as mamas estiverem cheias, então se o bebê não esvaziou é indicado fazer uma compressa quente nesse seio e retirar o leite com a ajuda da bombinha. Esse leite pode ser guardado na geladeira ou congelado para uso posterior, e dá até para termos um estoque. Fazer essa retirada é muito importante, porque vai prevenir inflamações que são muito dolorosas e mais difíceis de resolver”. Vale lembrar que o leite congelado pode ser mantido por 15 dias.