Se por muitos anos Lisboa foi o destino preferido de excursões da terceira idade, a nova noite da capital portuguesa está cada vez mais jovem e agitada.

Fábrica de lazer

Misto de galeria de arte e centro comercial a céu aberto, a LX FACTORY reúne lojas de decoração e roupas, cafés, academia de dança e bares. Só o imóvel, que era uma fábrica têxtil durante o século passado, já merece sua visita e muitas fotos. Mas dá para o passeio ficar ainda melhor. Faça um almoço tardio no restaurante Rio Maravilha, que fica no quarto andar de um dos pavilhões. O “Rio” do nome, na verdade, são dois. O nosso carioca mesmo, que aparece como temática da decoração do lugar, e o Tejo, rio da cidade que faz parte da vista do restaurante. Escolha uma mesa no salão especial, com paredes de vidro, sem wi-fi nem sinal de internet, para focar toda a sua atenção na paisagem de tirar o fôlego e na comida deliciosa do chef Bruno Dal Bianco. O brasileiro de 30 anos me contou que é filho de pai italiano e mãe brasileira, discípulo de Alex Atala, e trabalhou no JOIA, em Milão, o primeiro restaurante vegetariano a ganhar uma estrela Michelin — e toda essa mistura de referências dá caldo, tá? Dica imperdível: o atum com morangos marinados e shiso (19 euros) será uma experiência culinária inesquecível. Para beber, peça o drinque Margarita de Framboesa com Petezetas (8 euros), em que o sal da taça é substituído por aquele açúcar que estoura na boca, estilo balas da infância.

Portugal para jovens

Amor moderno

Se tiver apenas uma noite pra ficar em Lisboa, é à Pensão doAmor que deve ir. Comece sua caminhada pela rua Nova do Carvalho. O local, que antigamente era o point dos marinheiros que desembarcavam no cais da cidade, hoje é cheio de bares agitados que representam bem a nova noite lisboeta. Ali perto fica o casarão que antigamente abrigava um bordel e deu lugar ao bar mais lindo e surpreendente a que já fui na vida! A decoração é instigante e tem paredes cor-de-rosa com desenhos de pin-ups, cadeiras de veludo vermelho, barra de pole dance e obras de artes sexy — dentro do banheiro, bonequinhos reproduzem posições do Kama Sutra. São vários salões com música em altura boa para conversar. Em apenas um deles, o som é mais alto e a pista, agitada. Os drinques são ótimos e a carta de cervejas diferentes também. Tomei a Fucking Hell (4 euros) porque, enfim, achei que o nome combinava com o lugar.

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Quero ser John Malkovish

Uma das informações mais curiosas sobre a noite da capital portuguesa é que um mesmo grupo de empresários é dono de vários estabelecimentos. Não, espera. Surpreendente mesmo é que o ator John Malkovich faça parte desse grupo. Ele é um dos proprietários da balada mais tradicional da cidade, a LUX, que já tem quase 20 anos e nunca sai da moda. É um lugar gigante, onde os DJs mais importantes de música eletrônica se revezam em noites sem hora para acabar. Malkovich também é sócio do restaurante que fica ao lado, o Bica do Sapato, onde você pode começar sua noite. É o lugar perfeito para comer bacalhau e tomar vinho tinto, afinal você está em Portugal! Escolhi comer o peixe servido à minhota com risoto e molho pesto (20 euros) e um bom vinho da região do Alentejo (26 euros). Aliás, com garrafas de ótimos vinhos a partir de 13 euros, vai ser difícil você querer beber outra coisa.

Portugal para jovensMercado pop

Adoro mercados públicos. É sempre um lugar onde se tem a oportunidade de conhecer a cultura de uma região. Mas o Mercado da Ribeira traz uma surpresa especial. A construção do fim dos anos 1800 foi adotado pela revista Time Out, especializada em dicas de turismo em várias das grandes cidades do mundo. O espaço foi reformado e rebatizado de Time Out Mercado da Ribeira e/ou Time Out Market Lisboa. O resultado? Cerca de 30 estandes onde se pode comer de tudo com uma única condição: são todos produtos feitos em Portugal. Primeiro, você opta por porções de peixe, hambúrgueres artesanais, bolos e seu vinho ou cerveja de preferência. Depois, escolhe um dos 500 lugares nas mesas coletivas (alerta: foco de boys magia!). Além dessa parte gastronômica no térreo, no primeiro andar há uma sala de espetáculos com capacidade para mil pessoas e espaços para restaurantes. Se procura um lugar com mais privacidade, vale subir até o Pap’açorda, tradicional restaurante da cidade que ganhou nova moradia. A mousse de chocolate (6,50 euros) é uma instituição lisboeta e sobremesa obrigatória. A fama vem, claro, do gosto, mas também da forma como é servida, na mesa, diretamente da enorme tigela de inox. Ainda não está pronta para voltar ao hotel? Continue sua noite no Rive Rouge, bar com acesso pelo restaurante mesmo, com DJ animado e cartas de drinques. Na dúvida do que beber, vá nos com o nome da casa: o Rive (com gim) e o Rouge (com rum), ambos por 15 euros.

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Das alturas

Como Lisboa é cheia de ladeiras, são muitos os clássicos elevadores que transportam turistas e moradores entre os níveis da cidade — a gente tenta andar, mas tem uma hora em que as panturrilhas podem cansar. Nessa hora, vale curtir outra tradição: os bares em terraços com vistas incríveis. Meu preferido, sem dúvida, é o Terraço Park, que fica no 7º andar de um estacionamento. Sim, o acesso é um tanto obscuro, por entre carros, escadas e um elevador pichado. Mas, chegando lá, respire aliviada: o piso superior foi transformado nesse bar com uma bela vista da cidade, com direito ao Tejo e às torres da Igreja de Santa Catarina no panorama. Entre parklets e árvores suspensas, um DJ faz um som ambiente para os visitantes curtirem o pôr do sol. Dica: não caia no lugar- -comum de beber uma cerveja. O barman fez cara de decepcionado quando pedi uma e me ofereceu uma deliciosa Margarita (8 euros) no lugar. Valeu a pena.

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