Por orgulho, machismo, medo ou falta de informação, muitos homens com problemas sexuais, quando falham na hora “H”, acabam dando as mais diversas desculpas, como muito cansaço, trabalho demais, cabeça cheia e por aí vai. Só que isso pode ser realmente um problema físico ou psicológico, que precisa ser visto o quanto antes. Desse modo, saiba como identificar os quatro mais comuns, e entenda como eles podem atrapalhar a sua vida sexual e autoestima.

Para ajudar na parte médica, o DaquiDali pediu a ajuda do urologista Fernando Almeida, doutor em urologia e chefe dos setores de Disfunção Miccional da Escola Paulista de Medicina, que fez uma ficha de cada um dos problemas. No patamar mental, o auxílio vem da psicóloga e sexóloga Ana Canosa, que mostra como isso pode te afetar.

 

Disfunção erétil

É é caracterizada “pela dificuldade de ter ou manter a ereção. Às vezes ela de fato não acontece, mas é possível também que ele consiga, e no meio da atividade sexual a perca”, explica o médico.

A  disfunção pode ter duas origens: “orgânica, por conta de alguns fatores de risco que danificam a artéria peniana, como idade, tabagismo, hipertensão, diabetes e tudo o que faz mal para o coração (doenças cardíacas). Eles prejudicam, assim, o enchimento do pênis com o sangue, processo que o leva a ficar rígido. E também pode ser de fundo psicológico“.

Tratamento

Avaliação médica das dosagens hormonais para saber se é mais físico ou orgânico, e assim adequar o tratamento, que pode, nos dois casos, ser feito com medicação via oral, injetável ou com prótese peniana. “Segue a sequência do mais simples para o mais elaborado. É importante ressaltar que a drogas não são curativas (ele toma e fica bom), mas sim, utilizadas sob demanda, ou seja, ao precisar da ereção lança-se mão delas. Quanto a prótese, os riscos são da sua colocação e implante”, esclarece o urologista.

As disfunções sexuais podem ter origem física ou psicológica. F

A palavra da psicóloga

Segundo Ana, aqui há dois tipos de prejuízo: “o primeiro é físico, pela falta de penetração (para quem gosta) e em relação ao tempo de coito, já que ele pode perder a ereção durante o ato. O segundo é emocional, quando a mulher carrega para si uma ‘culpa’ por isso, achando que é porque ela está fora do peso, ou ele está pensando em outra, levando a criação até de fantasias de traição. Entenda que esse homem pode estar passando por uma real questão física ou emocional, e para saber se o motivo é com você, tenham uma conversa franca“.

Ejaculação precoce

Esse, sem dúvida, é um dos problemas mais temidos pelos homens, “porque é configurado por uma ejaculação rápida (aliás esse é o nome atual cunhado pela medicina) que impede que o casal se satisfaça e atinja o prazer em conjunto”, revela o profissional. Ele complementa destacado que “a causa pode estar muito associada a ansiedade. Atinge quem é agitado e também quem é calmo, mas se deixa abalar durante a situação sexual, o que pode acontecer  por conta do local inadequado, pela preocupação em satisfazer a parceira ou mostrar seu melhor”.

Tratamento
Tomar ansiolíticos em uso contínuo, “o que ajuda na ansiedade durante o ato sexual (mas não é para tomar toda vez antes do sexo, siga a recomendação médica). O tempo de uso depende muito, pode ser por anos ou até o paciente achar que está melhor, e então tentar tirar o remédio. É indicado ainda o uso de preservativo que diminui a sensibilidade peniana, e com isso a pessoa consegue retardar a ejaculação”, afirma o especialista.

A palavra da psicóloga

Se a mulher gosta de sexo com penetração, a ejaculação rápida pode gerar uma insatisfação com a prática. “Procure um médico com ele para que esse homem possa aprender a ter maior controle ejaculatório, e enquanto houver esse problema, a dica é procurar variações nessa relação sexual que possam envolver preliminares. Mesmo que ele tenha ejaculado, vale tentar continuar de algum modo, com masturbação mútua, para que você também alcance o prazer“, ressalta a sexóloga.

Desejo sexual hipoativo

Em outras palavras, é uma queda na líbido, que está muito associada à questões hormonais. “Então, quem está com déficit hormonal, ou seja, baixa na produção da testosterona,  pode sofrer isso. O homem tem essa queda, mas é infinitamente menor que a mulher e ocorre em idade avançada”, diz o Dr. Fernando. Ela lembra que também pode acontecer por “estresse de cunho físico e emocional, como cansaço, brigas, pressão no trabalho ou pura infelicidade no casamento mesmo. Nesse segundo contexto, a preocupação é que muitos não se dão conta de que estão vivendo em situação de estresse, acham que é normal”.

Tratamento
Procurar um especialista para realizar um exame de dosagem hormonal e se preciso (caso a questão seja de origem física), reposição do hormônio em falta, que pode ser feita por injeção, pomada, ou cremes. Se for por razões psicológicas, procurar um psicólogo para melhor orientação.

Em todos os casos, conversar com o parceiro ajuda a descobrir a causa e a resolver o problema. Não especule achando que é culpa sua sem falar com ele antes. Foto: domoyega/iStock

A palavra da psicóloga

A baixa de desejo do parceiro afeta a mulher em seu sentimento de ser desejada por ele. “Normalmente, elas criam sua identidade feminina erótica a partir de serem desejadas pelos homens, o que é, inclusive, uma marca do machismo. Muitas nem tomam iniciativa no ato sexual por acreditarem que o outro tem que desejá-la, o que não é bom exatamente porque eles não são máquinas, também possuem baixa de desejo. Nessa fase ela também pode sentir falta do sexo com penetração. A dica é: você, mulher, não ache que é um problema pessoal, afinal pode ser uma questão mal resolvida na vida dele. E você pode ter iniciativa no sexo, para estimular esse parceiro. Tente entender para ajudá-lo a resolver”, recomenda Ana Canosa.

Inibição do orgasmo masculino

É muito raro, mas não é impossível. Segundo o médico, “aqui, o indivíduo não consegue ejacular, e isso denomina-se anorgasmia. Geralmente tem fundo psicológico, mas pode ter também neurológico. Felizmente, é bem incomum”.

Tratamento
O urologista esclarece que “não tem tratamento definido específico, tem que ser avaliado caso a caso. Recomenda-se uma avaliação psicológica para ver se encontra-se a causa desse bloqueio”.

A palavra da psicóloga

Normalmente, a mulher gosta muito de perceber que o parceiro está tendo prazer. “Se ela entende que o orgasmo é o ápice do prazer, e ele não tem, pode achar que para ele, essa relação com ela não é tão maravilhosa. Isso pode inibi-la de se manifestar sexualmente de uma maneira mais espontânea,  pode ficar tão preocupada em que ele alcance o orgasmo que isso atrapalhe o dela. Aliás, quando isso é repetitivo, acontece muito em todas as disfunções acima, impedindo que ela se entregue ao próprio prazer e tornando o sexo um tabu entre o casal. Por isso é tão importante conversarem sobre isso, procurarem um médico ou terapeuta de casal, para não deixarem que o quadro se agrave“, sugere a psicóloga.