A gestação é um período de muitas transformações e emoção, e claro que como todo momento especial ela vem acompanhada de uma série de mitos – que vão desde a tentativa das mamães de descobrir o sexo do bebê até a vontade de driblar aquelas partes que não são assim tão agradáveis, como o enjoo. Quer saber o que é real ou não nessa fase? Olha só…

Você está “comendo por dois”

Alimentação deve ser saudável e controlada. Foto: dolgachov/iStock

Mito. Durante a gravidez paira uma sensação de que se pode comer mais – e de tudo – pelo fato de estar “comendo por dois”, o que na prática está errado. “Não existe necessidade de aumentar a quantidade e sim de melhorar a qualidade alimentar, então se você não tem hábitos saudáveis está é a hora de mudar, equilibrando carboidratos, proteínas e adicionando várias porções de frutas e legumes ao longo do dia. O aumento excessivo de peso não é interessante, porque isso alavanca os riscos de doenças como a hipertensão e a diabetes gestacional”, alerta a ginecologista e obstetra Marisa Patriarca, professora de ginecologia da pós-graduação da UNIFESP e chefe do setor de climatério do Hospital Do Servidor Público de São Paulo (IAMSPE). Vale lembrar que a média de ganho de peso saudável gira em torno dos 12,5 kg.

Enjoos são comuns no começo da gestação

Verdade. Mesmo que nem toda mulher passe por isso é muito comum sofrer com enjoos no primeiro trimestre, período em que o hormônio HCG está aumentando rapidamente. “Eles acontecem bastante nessa fase por essas modificações hormonais e depois isso vai melhorando. Algumas mulheres voltam a sentir desconfortos deste tipo no final da gravidez, mas isso acontece mais pela ansiedade e pelo aumento do volume uterino, que pode dar refluxo e azia”, conta.

Desejos podem indicar o sexo do bebê

Desejo e posição da barriga não indicam o sexo do bebê. Foto: vadimguzhva/iStock

Mito. Se você já ouviu que a vontade aumentada de consumir carne e alimentos de sabor azedo, como o limão, é indicativo de estar esperando um menino saiba que essa ideia está errada. “Não existe nenhuma verdade nisso, e muitas vezes os desejos acontecem porque a mãe está precisando de alguma vitamina ou proteína. Não está ligado ao sexo, e sim à necessidade nutricional ou ansiedade, que também dá vontade de comer mais mesmo quando você não está gestante”, explica. Aliás, a posição da barriga também não tem nada a ver com isso: de acordo com a especialista, sua forma depende da posição do bebê no útero e da quantidade de líquido.

O cabelo cai muito depois da gestação

Verdade. Muitas mulheres se assustam em ver o quanto os fios caem após o nascimento do bebê, no entanto, isso é esperado e não existe motivo para pânico. “O cabelo tem um ciclo de crescimento e queda, e durante a gestação o aumento significativo dos hormônios femininos faz com que ele permaneça mais tempo na de crescimento – tanto que se você tiver uma queda de cabelo acentuada durante o período é importante investigar as causas. Quando essa gestação termina, cerca de três meses depois, eles tendem a cair em grande quantidade porque passam juntos para a próxima fase da queda”, explica.

Azia e queimação = bebê cabeludo

Cabelo do bebê não causa azia ou queimação. Foto: gpointstudio/iStock

Mito. Sentindo azia? Infelizmente isso não é um indicativo de que o seu pequeno nascerá com bastante cabelo. “A azia acontece pelas mudanças hormonais e físicas, como o aumento do volume do útero e a menor mobilidade do esôfago. Uma série de fatores vão contribuir para esse incomodo, mas certamente não o cabelo do bebê”, conta.

Grávidas devem dormir viradas para o lado esquerdo

Verdade. O mais indicado é mesmo virar para o lado esquerdo, e não é apenas uma questão de conforto. “O útero vai crescendo e ele pode comprimir uma veia que drena o sangue e o transporta para o coração e o resto do corpo, e isso pode dar falta de ar na mãe e até uma falta de oxigenação para o bebê. Deitada para o lado esquerdo você impede que isso acontece. Geralmente, se a mulher deita com a barriga para cima ela acaba se sentindo desconfortável e vira inconscientemente para a posição correta”, esclarece.

Gestantes não podem consumir alimentos crus

Parcialmente verdade. Alguns alimentos realmente não devem ser ingeridos crus, mas isso não significa que você precisa abrir mão dos sushis. “O problema do alimento cru é o risco de toxoplasmose, que decorre de um parasita das fezes do gato. Mas ele é geralmente encontrado na carne (crua) de vaca e frutas e verduras que não foram bem lavadas. O peixe cru não é mais perigoso para grávidas do que para pessoas em qualquer outro momento da vida, então é só selecionar bem o restaurante e saber a procedência do peixe”.