Se você tem filhos, provavelmente já lidou com um dia ou outro em que a criança simplesmente não quer ir para a escola ou diz que odeia estudar. Faz parte, mas, de acordo com Betty Monteiro, pedagoga e psicóloga, os pais devem estar alertas a esse tipo de manifestação: “Gosto de dizer que é comum, mas não deveria. O natural é a criança gostar da escola, porque é curiosa, quer estar com outras crianças, mas é muito comum não apreciar e até gerar bloqueios que atrapalham na aprendizagem”.

Segundo a especialista, os motivos para que isso aconteça são muitos, mas o principal está relacionado à criação de vínculo entre o aluno e o professor. “A figura do professor é muito importante para a criança, ela só aprende aquilo que passa primeiro pelo coração. E o professor pode tanto construir um aluno maravilhoso como destrui-lo, especialmente quando se trata de alguém que não entende a criança, que não consegue dar atenção, que é cínico ou que cometa bullying contra a turma, o que infelizmente acontece bastante”, fala. Assim, vale checar como anda a relação do seu filho com o professor caso ele esteja se mostrando desanimado com a escola.

Conversar com os filhos e ouvi-los é fundamental/ Thinkstock
Conversar com os filhos e ouvi-los é fundamental/ Thinkstock

Outro aspecto importante a se levar em conta é se a instituição de ensino é a mais adequada para o seu filho. Elizabeth diz que não há escola certa para a criança, mas aquela que melhor se adequa ao perfil do pequeno. “A boa escola é aquela em que a criança está bem, feliz e produzindo”, diz. Ou seja, vale a pena se perguntar: será que seu filho está bem naquela instituição? É preciso acompanhar atentamente para entender. Afinal, muitas vezes a criança se opõe à ideia de sair da escola, mesmo que não esteja se adaptando bem ao espaço.

PROXIMIDADE DOS PAIS

A especialista conta que alguns pais exigem muito dos filhos, focados somente na necessidade de que eles tirem notas altas. “Pais que cobram muito dos filhos normalmente fazem com que a criança odeie a escola e odeie estudar. Às vezes você pergunta algo a ela e ela nem quer pensar sobre o assunto. Cria um bloqueio e sente que sempre vai errar, fracassar”, explica. Também é importante lembrar que nem sempre uma nota alta é um sinal de que a criança tem bom rendimento: “Alunos que têm facilidade para decorar e são obedientes tiram boas notas. Não significa tanto assim”.

Com frequência, o sentimento de repulsa a escola também indica um problema em casa. “Às vezes a criança está passando por um momento delicado em família e tem medo de se afastar. Ela não quer ir para a escola porque teme que algo de ruim aconteça, tem a ilusão do controle”, explica. Outro ponto de atenção ao qual vale estar atento.

Aos pais, Betty aconselha estar perto e acompanhar o filho carinhosamente. Às vezes, diante do desconforto da criança, de um comportamento repetitivo, de dizer que está com dor de barriga e tentar fugir da escola, alguns pais dizem que os filhos são “preguiçosos” ou dão bronca. A psicóloga recomenda o oposto: “Converse com seu filho. Se ele for maior, diga que vá falar com a orientadora da escola e o inclua nesse papo. Se for menor, apenas diga que vai ajudá-lo a resolver o problema. Mas escute o que ele tem a dizer e entenda o que está acontecendo”.