A volta da licença-maternidade é um momento para as mães, e como se não bastasse toda a preocupação – e aquela dor no coração natural de se afastar do bebê – elas ainda precisam lidar com uma realidade complicada no trabalho: a chance de serem demitidas simplesmente por usarem do seu direito de ficarem em casa. De acordo com uma nova pesquisa, cerca de 48% delas acabam desempregadas no primeiro ano após terem um filho.

 

Realizada pela Fundação Getúlio Vargas, a pesquisa (intitulada “Licença-Maternidade e suas consequências no mercado de trabalho do Brasil”) ouviu 247.455 mulheres e constatou que quase metade delas perdem seus empregos nos primeiros 12 meses após o nascimento do bebê – e que estas demissões começam já no retorno da mãe ao trabalho.

5% são demitidas um mês após retornarem ao trabalho. Foto: Poike/iStock

Após cinco meses, ou seja, um após o retorno às atividades, 5% delas acabam dispensadas de suas funções. O número chega a 15% em seis meses e impressionantes 50% em dois anos. Vale lembrar que, no país, a lei infelizmente colabora para este tipo de situação: atualmente, a mulher tem direito à estabilidade por cinco meses até o parto – ou seja, apenas um mês após o retorno da licença-maternidade.

Julgadas sempre

Em outro estudo recente, ficou claro que as mães são julgadas no mercado de trabalho caso optem – ou não – por usufruir de seus direitos quanto à licença. Realizado pela Exeter University, no Reino Unido, o trabalho mostrou que elas são vistas negativamente quando voltam a trabalhar imediatamente após o nascimento do bebê (consideradas mães irresponsáveis), e quando usufruem do período ao lado do recém-nascido (neste caso, são apontadas como pouco profissionais ou incompetentes pelos colegas).