Beleza

Alisa não, mãe! Projeto fotográfico quer que crianças se apaixonem pelos seus cachos

Carolina Castro, criadora do “Alisa não, mãe!”, quer ajudar meninas a enxergarem sua beleza natural

O movimento pela beleza natural ganha cada vez mais força nas redes sociais, no entanto, assumir os cachos e ver o poder que existe neles ainda é uma luta diária, especialmente quando o desejo de ser diferente do que é faz parte de sua vida desde a infância. Para virar esse jogo, uma fotógrafa resolveu usar a profissão para fazer com que crianças se apaixonem pelos seus fios afros, criando o projeto “ALISA NÃO, MÃE!”.

A ideia da mineira CAROLINA CASTRO é simples, mas significativa: FOTOGRAFAR MENINAS PEQUENAS E ADOLESCENTES DE CABELOS AFROS PARA QUE ELAS ENXERGUEM A BELEZA QUE EXISTE EM SUAS RAÍZES, E PAREM DE PROCURAR POR PADRÕES ESTÉTICOS SEM SENTIDO. “Uma amiga minha confessou que não gostava do cabelo da filha, um lindo crespo. Ela não gostava porque tinha sofrido muito na infância e na adolescência, tanto com o preconceito quanto com a dificuldade para cuidar, e não queria que a pequena passasse pelo mesmo. Foi aí que me dei conta do quanto isso é cruel, que a menina ia acabar com o cabelo alisado e QUE A CRIANÇA CRESCE COM ESSE ESTIGMA DE QUE TEM ALGO ERRADO COM ELA, isso me incomodou muito, e daí nasceu o projeto”, explica.

Incomodada, a fotógrafa recorreu às redes sociais para tentar entender melhor o tema, encontrando grupos específicos para as madeixas crespas e mulheres que estavam redescobrindo-se cacheadas. “Fiquei alucinada com aquilo, porque elas passavam tantos anos alisando que já nem sabiam como eram seus cabelos naturais. Pesquisei muito e como trabalho com fotografia de família e crianças pensei em usar isso para poder mostrar para elas a própria beleza. COMECEI A REUNIR ESSAS CRIANÇAS, FOTOGRAFAR E DAR DE PRESENTE AS IMAGENS PARA QUE VISSEM QUE NÃO HÁ NADA DE FEIO NELAS, e também para mostrar para as mães a importância de empoderar seus filhos e que eles são perfeitos como são”, lembra.

Carolina passou a reunir as famílias e fazer as imagens. Ao compartilhar no Facebook, o sucesso foi rápido e imenso, e ela passou a receber vários depoimentos de pessoas que amaram a iniciativa. “O resultado maior foi as mães também se empolgarem e deixarem de alisar seus próprios cabelos. Não vemos muitas pessoas com afro na indústria da moda, e nem nos brinquedos das crianças. Várias pessoas me mandaram relatos do preconceito que já sofreram e dos desafios, e do quanto gostaram do projeto. EU QUERIA MOSTRAR A IMPORTÂNCIA DE DAR ABERTURA E TER ESSA REPRESENTATIVIDADE para que as meninas vejam que cada um é de um jeito, que existe beleza em todas as formas, que elas podem ter sua identidade e fortalecer sua autoestima”, garante.

Agora, a profissional deseja que as fotos alcancem mais pessoas, e que cada um ajude em sua região. “Eu não posso abraçar tudo, não tenho como estar em todos os lugares. Me traria muita alegria que outros fotógrafos fizessem isso em suas comunidades e para crianças de todo o Brasil. Tento levar informação e falar dos grupos que encontrei de cuidados com os fios em todo o ensaio, é importante que elas saibam que não é impossível e nem difícil exibir seus cachos”.

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