Arte & Cultura

Almodóvar e ‘Homens de preto’ estão nas estreias da semana

Diretor espanhol lança ‘Dor e glória’, enquanto os alienígenas estão de volta para conquistar as bilheterias

Ampliar o trânsito de um fenômeno do cinema que já tem respaldo em escala mundial. É com este desafio e força que desponta no circuito o longa MIB Homens de Preto: Internacional. Em 22 anos de existência, a franquia MIB já bateu a casa da renda de U$ 1,6 bilhão. Ausente do mercado desde 2012, com a exibição do terceiro episódio, que demarcou a conquista de US$ 624 milhões, a série em torno da agência do governo que monitora ações de extraterrestres volta, sob a direção de F. Gary Gray, cineasta reconhecido pela versatilidade de abraçar filmes leves como Velozes e Furiosos 8 ou mesmo títulos menos óbvios como demonstrou em Straight Outta Compton: A história do N.W.A.

A nova aventura, impulsiona heróis e vilões a extrapolarem o corriqueiro âmbito de Nova York. Daí, o filme espalhar a ação por locais como Itália, França, Reino Unido e Marrocos. No roteiro, a dupla Art Marcum e Matt Holloway (unida desde o primeiro MIB) segue a cartilha de colocar os agentes com as funções de licenciar, supervisionar a ação de extraterrestres e ainda catalogar imigrantes refugiados.

Alienígenas em cena, por todos os lados, em aventura comandada por F. Gary Gray
(foto: Sony Pictures/Divulgação)

Uma ameaça alienígena, com potencial de liquidar a vida em galáxias inteiras, leva os famosos homens de preto a temerem, mas combaterem os acrobáticos integrantes da Colmeia, entidade que objetiva ter às mãos artefatos infalíveis para expansão de territórios. Tido como arrogante, o agente H (Chris Hemsworth) terá que baixar a bola, com a chegada da novata colega M (Tessa Thompson, sucesso desde Creed: Nascido para lutar), enviada como reforço pela Agente O (Emma Thompson). Desde pequena entusiasmada com a ação de alienígenas, Molly (ou melhor M) se mostra dona de inteligência poderosa; galga e alcança conquistas na organização dos Homens de Preto. Com a renovação do elenco, saem de cena os atores Will Smith e Tommy Lee Jones, dos êxitos anteriores.

Escalada de sucesso

Renda dos filmes

Homens de Preto (1997) US$ 590 milhões

MIB: Homens de Preto II (2002) US$ 442 milhões

MIB: Homens de Preto III (2012) US$ 624 milhões

Bastidores do filme Dor e glória: Almodóvar ladeado pelos astros Asier Etxeandia e Antonio Banderas
(foto: Universal/Divulgação)

Já com bom tempo de projeção do mais recente filme dele, Dor e glória, o diretor Pedro Almodóvar dá uma pista de onde desembocará parte da narrativa, em muito abastecida pela imagem de Penélope Cruz à frente do papel de uma mãe esforçada. Com um DVD de Mamma Roma (clássico assinando por Pier Paolo Pasolini) disposto numa mesa de centro da sala, o protagonista de Dor e glória — um cineasta interpretado por Antonio Banderas — revela a dependência pelo amor materno, tema da obra de Pasolini. Dor e glória é formatado para duas realidades vivenciadas por Salvador (Banderas): numa, entregue à sorte, na infância, habitando “uma caverna” (uma casa soturna alugada pelo pai), ao lado da diligente mãe; e, noutro momento, desfrutando das comodidades de um diretor de cinema internacionalmente reconhecido.

Sabor, uma antiga obra de ficção assinada pelo personagem Salvador, é vital para o enredo de Dor e glória. Nos bastidores das filmagens, Salvador entra em atrito com o astro Alberto (Asier Etxeandia). É em nome dos “velhos tempos” que ele aceita o desafio de se entender com Alberto, passadas mais de três décadas. O reencontro é pontuado pelo contato com vícios há muito abandonados. Estruturado em memórias, que tocam, por exemplo, o apreço do ainda menino Salvador por atores como Robert e Liz Taylor, Dor e glória é uma saudação ao cinema.

Na base do deboche, por exemplo, Almodóvar critica a atualidade, numa discreta cena: é a hora em que Salvador desembala um presente — o livro com o nada sutil título Como acabar com a contracultura. Admirado até mesmo na Islândia, o cineasta representado na ficção carrega desejos bastante singelos como o de atender a vontade da mãe viúva (Julieta Serrano, estrela do clássico Mulheres a beira de um ataque de nervos), à beira da morte, de retornar a um vilarejo.

Em meio a exercícios de metalinguagem, o cinema de Almodóvar segue sedimentado no consumo e nas referências feitas com as artes. Tratando de teatro e música, entre outros temas, o diretor espanhol demonstra o apreço pela cantora Chavela Vargas (La noche de mi amor é ouvida em cena), reafirma o amor pelo dramaturgo Tennessee Williams (cartaz de Gata em teto de zinco quente estampa uma parede). De quebra, ainda apresenta ao mundo um promissor talento, o pequeno ator Asier Flores, fabuloso no trecho do filme que remete ao primeiro desejo.

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