Comportamento Conversa de Mãe

Como ensinar o seu primeiro filho a ser um bom irmão mais velho

Ações dos pais demandam equilíbrio, para não encher a criança de responsabilidades que não são dela

Com a chegada do segundo bebê, o primeiro ganha automaticamente o “cargo” de irmão mais velho. E, apesar de esse parecer um papel orgânico na vida da família, nem sempre é fácil para a criança. “Geralmente, ele SERÁ COBRADO COMO UM EXEMPLO A SER SEGUIDO”, diz a psicóloga Juliana Pintor Furlanetto. “É preciso, no entanto, tomar muito cuidado para não exagerar na delegação da responsabilidade sobre o seu bem-estar”, coloca Elisângela Lima, psicóloga com especialização em terapia familiar da Lima Fávaro Coaching. “Caso esse excesso ocorra, poderá alimentar sentimentos de autocobrança, os quais, futuramente, poderão tolher sua criatividade e estimular a culpa, por se ver sobrecarregado pelas coisas que o rodeiam”.

 

PREPARANDO O POSTO DE IRMÃO MAIS VELHO

O trabalho de compreensão e tolerância acerca da nova realidade, inclusive, há de ser iniciado antes mesmo do nascimento do bebê, ainda durante a sua espera – “que é, muitas vezes, carregada de ansiedade; e, dependendo da idade, de fantasias”, Juliana ressalta. “SURGE O CIÚME, já que muitos questionamentos acontecem na cabecinha dele, como por exemplo ‘MEUS PAIS VÃO GOSTAR MAIS DO OUTRO DO QUE DE MIM’ ou ‘não vão ter mais tempo para mim’, e por aí vai… É essencial que ele seja envolvido em todas as atividades possíveis, como acompanhamento aos ultrassons, decoração do quarto, compra das roupinhas etc.”.

Irmão mais velho não deve receber toda a responsabilidade de cuidar do mais novo. E, em caso de conflitos, os dois lados devem ser ouvidos FOTO: thinkstock

IRMÃO MAIS VELHO NÃO DEVE RECEBER TODA A RESPONSABILIDADE DE CUIDAR DO MAIS NOVO. E, EM CASO DE CONFLITOS, OS DOIS LADOS DEVEM SER OUVIDOS FOTO: THINKSTOCK

ACOLHENDO AS EMOÇÕES

“A ferramenta ‘diálogo’ tem que ser muito bem utilizada e, juntamente com ela, a vivência e a priorização de momentos únicos (adultos e filho mais velho juntos) para que ele não deixe de SE SENTIR PERTENCENTE E RECONHECIDO PELA FAMÍLIA”, Elisângela aponta. Assim ele não terá a preocupação de criar atitudes e ações para tentar chamar a atenção sem parar.

PARCEIRO PARA TODAS AS HORAS

“Sempre que possível, você pode pedir o auxílio dele, mostrar que também FAZ PARTE DA EDUCAÇÃO DO MENOR, e que é muito significativa a união dos dois – que podem ser muito mais fortes juntos”, indica Juliana. AJUDAR NA HORA DA TROCA DO NENÉM, pegando os itens necessários, ou no preparo da mamadeira ou papinha, são algumas sugestões; assim como contar uma história na hora do outro dormir, cantar uma música, distrai-lo com os brinquedinhos adequados. Sob nenhuma circunstância é indicado que ele dê banho no pequeno sem o devido acompanhamento e prudência, ou mesmo, que o segure na água. Além do mais, NÃO É RECOMENDÁVEL DEIXAR AS DUAS CRIANÇAS EM CASA SOZINHAS.

SEM SE APROVEITAR DA POSIÇÃO

O primogênito pode contribuir com as tarefas de casa e do bebê sempre que a mãe pedir, desde que não seja sobrecarregado FOTO: thinkstock

O PRIMOGÊNITO PODE CONTRIBUIR COM AS TAREFAS DE CASA E DO BEBÊ SEMPRE QUE A MÃE PEDIR, DESDE QUE NÃO SEJA SOBRECARREGADO FOTO: THINKSTOCK

É necessário, ainda, explicar ao primogênito que ele NÃO PODE EXPLORAR O IRMÃOZINHO – comum de se observar nessa relação. O meio mais fácil de conseguir isso é até pela comparação, aconselha Juliana: expondo que ele, da mesma maneira, não gostaria de sofrer o contrário. “Uma das soluções são os ACORDOS ENTRE OS IRMÃOS. Se a briga é por um lugar específico no carro, é só combinar que um vai à janela na ida e, o outro, na volta; se é por um filme, desenho ou programa de TV, é estipular horários para que o par possa assisti-los e assim por diante”, avisa.

SEM FAVORITISMOS

ESTABELECER LIMITES, COM FIRMEZA E, AO MESMO TEMPO, ACOLHIMENTO – nunca com punições, castigo e, muito menos, violência – é o melhor caminho a ser adotado. “Os pais têm de estar atentos e, principalmente, OUVIR OS DOIS FILHOS, AS DUAS VERSÕES e optarem pela melhor decisão, nunca repreendendo coletivamente. Muitas vezes, se segurar e dar a chance de eles mesmos resolverem o conflito é importante. As crianças aprenderão a se respeitar e respeitar os outros, o que é justiça, e a valorizar sua própria opinião e a tomarem decisões, enfim serão adultos mais seguros e melhores no futuro”.

two cute child baby girls playing and having fun on the bed. loving sisters hug
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