Conversa de Mãe

Como equilibrar a vida amorosa com os filhos? Veja dicas para uma relação sadia

O novo companheiro pode, inclusive, se tornar o futuro padrasto

Para algumas mulheres que já tiveram filhos, embarcar em um relacionamento amoroso depois de uma separação pode ser um pouco mais complicado. Afinal de contas, as dúvidas e os receios são muitos na hora de ENVOLVER OS PEQUENOS NA APRESENTAÇÃO DESSE NOVO NAMORADO OU COMPANHEIRO. Quem está nessa posição precisa equilibrar os dois lados para que não haja conflitos ou problemas lá na frente.

OI, TUDO BEM?

Para Poema Ribeiro, psicoterapeuta da família e de relacionamentos, cada estrutura familiar é feita de valores muito específicos, assim como cada criança tem um temperamento. Cabe à mãe conhecê-la a ponto de saber identificar qual é o melhor momento para introduzir esse “estranho”. Ninguém melhor do que ela para entrever como se dará a resposta e consequente aceitação do fato.

A introdução do novo namorado deve ser feita aos poucos, com programas que envolvam a participação da criança FOTO: thinkstock

A INTRODUÇÃO DO NOVO NAMORADO DEVE SER FEITA AOS POUCOS, COM PROGRAMAS QUE ENVOLVAM A PARTICIPAÇÃO DA CRIANÇA FOTO: THINKSTOCK

APERTANDO AS MÃOS

Além disso, nessa hora, vale o bom senso e a capacidade de AVALIAR O PESO DO NOVO COMPROMISSO: quando se trata apenas de uma paixão passageira ou tem um significado. “Em vez de a mulher sumir, namorar em quaisquer outros lugares, é preferível sim que ela traga a pessoa para dentro de casa, mas que, ao fazê-lo, preserve o que já tem construído com o filho”, a profissional comenta.

Os princípios do outro também devem ser minimamente parecidos, e o histórico dele precisa condizer, de fato, com o que você pretende carregar para o universo materno. “Senão, ao invés de essa criança ter um incentivo para aceitar, colaborar e dar uma chance, ela vai somente rejeitá-lo”, ressalta.

PRAZER EM CONHECÊ-LO

O processo de conhecimento dos dois deve ser lento – mas nunca negligente. A especialista sugere que se programem passeios juntos e, aos poucos, se evolua para encontros mais frequentes: a socialização é sempre em função da necessidade do pimpolho e do contexto em que ele se encontra. TROCAS DE CARINHO ENTRE O PAR SÃO BEM-VINDAS, “desde que nãoHAJA UMA CONOTAÇÃO OSTENSIVAMENTE SEXUAL”, Poema aconselha. Os pequenos observam e encaram aquilo como algo positivo, do qual não estão excluídos.

Novo parceiro da mãe pode assumir responsabilidade dos filhos dela, desde que acordados FOTO: thinkstock

NOVO PARCEIRO DA MÃE PODE ASSUMIR RESPONSABILIDADES DOS FILHOS DELA, DESDE QUE ACORDADAS FOTO: THINKSTOCK

VOCÊ VAI SAIR COM A MINHA MÃE?

O CIÚME É ATÉ ESPERADO: tanto do lado do rebento, quanto do pretendente. No que diz respeito ao primeiro, a psicoterapeuta indica lidar de maneira natural (SEM ALIMENTAR MALCRIAÇÕES OU COMPORTAMENTOS ANTISSOCIAIS QUE POSSAM SURGIR), explicando que “o amor é incomensurável, uma vertente muito grande, na qual cabe todo mundo”. Estimular a conversa é o caminho mais eficiente, já que a GAROTADA SENTE MAIS DO QUE CONSEGUE TRADUZIR, muitas vezes.

“Quando esse sentimento parte do adulto é ainda mais delicado”, ela conta – por incrível que pareça! “Porque isso está ATRELADO AOS SONHOS DO OUTRO DE ESTAR NO PRIMEIRO PLANO DA PESSOA AMADA por um tempo”. De acordo com Poema, nas histórias românticas, os indivíduos nem sempre estão maduros do mesmo modo que para o trabalho, ou em outras perspectivas da vida. “Fica muito difícil dividir e isso também tem que ser ajustado com maturidade”, pontua.

VOCÊ QUER BRINCAR COMIGO?

A participação do novo parceiro na rotina com o seu filho deve estar associada ao FATO DE O PAI BIOLÓGICO ESTAR PRESENTE OU NÃO. Diante da primeira condição, é recomendável que ele OCUPE O PAPEL DE UM “TIO”, QUE COLABORA, está ali para o que der e vier, mas não interfere no processo de educação já estabelecido. Uma vez que a intromissão é muito grande e disruptiva, corre-se o risco de escutar: “VOCÊ NÃO É O MEU PAI”, como se não houvesse a obrigação de obedecer e seguir os comandos dados.

Troca de carinhos é bem-vinda no processo de apresentação do novo companheiro para os filhos, desde que não seja muito sexual FOTO: thinkstock

TROCA DE CARINHOS É BEM-VINDA NO PROCESSO DE APRESENTAÇÃO DO NOVO COMPANHEIRO PARA OS FILHOS, DESDE QUE NÃO SEJA MUITO SEXUAL FOTO: THINKSTOCK

Quando o oposto acontece e, por qualquer motivo, o progenitor não tem a responsabilidade de cuidar da própria cria, a mãe tem que impor, solicitar ou sugerir que aquele por quem ela esteja apaixonada COOPERE NAS FUNÇÕES PATERNAIS. “Precisa ter essa sensibilidade para ver se o outro está realmente disponível para assumir isso”, Poema ratifica. “Muitas uniões acabam porque é exigido do par o que ele não deseja. E fica aquela coisa: EU TE AMO, MAS NÃO QUERO SER O PAI DO SEU FILHO”.

 ELE É MEU PADRASTO

“Por mais que a criança expresse a vontade de ter alguém nessa posição, você tem que ter muito cuidado”, ela alerta. “Em toda relação que não é de sangue, os limites têm de ser estipulados”. E a especialista fala isso baseada nos incontáveis casos de abuso que existem e são relatados por aí. Para que o seu escolhido se torne um futuro padrasto, a construção do vínculo afetivo há de ser diária e o sentimento há de brotar lá de dentro – lembrando sempre da necessidade de observar e considerar todas as reações que podem ser demonstradas como resultado disso.

 

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