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Darwin estava certo: as lideranças precisam se adaptar para evoluir

Para enfrentar os desafios da liderança em um mundo de constantes mudanças, é preciso se reinventar dentro das capacidades exigidas

Sou convidado para dar aulas em diversos cursos de liderança e, nesses momentos, costumo propor uma experiência: peço aos alunos para refletirem sobre duas questões que julgo importantes e muito pertinentes para enfrentar os desafios deste momento de transições e mudanças tão significativas.

A primeira, que eu já abordei anteriormente nesta coluna, é que o líder não precisa se preocupar em agradar a todo mundo. O exercício da liderança traz, muitas vezes, a necessidade de desagradar a algumas pessoas e, principalmente, exige que o líder enfrente aqueles que estão desalinhados ou que fazem uma oposição irracional às mudanças.

Se a liderança não confrontar, democraticamente, aqueles que lutam contra suas ideias perderá a confiança e o apoio dos que o seguem. Numa cultura como a do Brasil, voltada para a harmonia, não é fácil tomar essa atitude. No entanto, enfrentar os opositores quando for necessário reforça as parcerias com as pessoas que apoiam a liderança. 

A segunda questão é sobre a necessidade de o líder criar um ambiente organizacional no qual as pessoas não se sintam constrangidas a dizer que não sabem ou não conhecem muito sobre determinado tema e, também, que se sintam à vontade para pedir ajuda se não conseguirem completar, sozinhas, uma tarefa.

Estamos vivendo num mundo que se transforma aceleradamente e é humanamente impossível dominar todas as variáveis ou temas. Por isso, a falta de conhecimento não pode ser considerada um fator depreciativo — ainda mais porque o “não saber” é algo de curto prazo, pois, logo que as informações são encontradas, o conhecimento é dominado.

É muito pior ter pessoas que, por vergonha de confessar desconhecimento, fingem (ou acham) que sabem determinado assunto do que pessoas que se sentem à vontade para mostrar que não entendem daquilo.

Essas duas reflexões provocam debates entre os participantes dos seminários sobre liderança. Muitos ficam constrangidos ao perceber que gastam um tempo enorme tentando agradar a todos e que estão perdendo o apoio de seus melhores colaboradores por não confrontarem os opositores. Outros notam que estão constrangendo seus subordinados exigindo o domínio total de todos os temas em discussão, o que é impossível hoje em dia.

Viver neste mundo que se transforma rapidamente exige do líder uma postura aberta, inteligente, sem preconceitos e com uma enorme capacidade de saber ouvir. É um belo desafio. Independentemente de idade ou gênero, os que não se transformarem não sobreviverão. Darwin estava certo.

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