Conversa de Mãe

Febre em bebê: um guia completo para tirar todas as suas dúvidas

Febre em bebê é uma das coisas que mais deixam os cuidadores apreensivos e ansiosos. Mas a preocupação é comum e estima-se que 20% a 30% das consultas pediátricas têm a febre como queixa principal.

Segundo a clínica geral Marcia Bahia (CRM-MG 65221), a febre é caracterizada por temperatura axilar acima de 37,2°C (35,8°C ou 38°C, dependendo da referência) e/ou temperatura retal maior que 38°C. A medida retal é a mais precisa, por ter menos influência do meio externo, porém é menos prática e mais invasiva que a axilar

Guia rápido sobre febre

  • A febre é um mecanismo fisiológico para combater uma infecção. A criança está com febre se a temperatura axilar está maior que 37,2°C e retal maior que 38°C.
  • A causa mais comum de febre é infecção ou inflamação. Na maioria das vezes é passageiro. Tende a desaparecer sozinha sem precisar medicar.
  • Criança com febre fica com o rosto vermelho, coração acelerado, respiração rápida, sente frio e fica abatida. Outros sinais são irritabilidade, falta de apetite e até choro.
  • A medida da temperatura retal é a mais eficaz, porém é menos prática e pode incomodar mais o bebê.
  • Mantenha a criança hidratada e em repouso. Vista-a com roupas leves e mantenha o ambiente ventilado. Dê um banho morno e não use álcool na água, pode causar alergia.
  • Bebê com febre pode dormir. A criança com febre em geral está mais indisposta e o sono é comum.
  • Vacinas podem causar febre, mas ela costuma ser passageira e pode ser tratada com antitérmicos para conforto da criança.
  • Em geral a febre associada com a erupção dentária é baixa e sem complicações.

Fique atenta a esses casos emergenciais:

  • Recém-nascidos de até 28 dias têm indicação clara de internação e investigação imediata da causa da febre.
  • Em qualquer criança, febre acima de 39,4°C ou temperatura axilar abaixo de 36°C. Quando a febre dura mais que 3 dias, indica possível agente infeccioso bacteriano.

Procure um(a) médico(a) imediatamente se o bebê apresentar outros sintomas, como pescoço rígido, dor de cabeça, dor de garganta e dor de ouvido severa, erupção cutânea inexplicada, vômito repetido e diarreia.

Como identificar a febre em bebês

DICAS DE MULHER

Pode-se definir febre como a temperatura axilar acima de 37,2°C, ou retal acima de 38°C, sendo que no 3° mês de vida o limite da medição retal atinge 38,2°C. A melhor maneira de identificar a febre em bebês é a medida da temperatura axilar ou retal. No entanto, outros sinais e sintomas podem indicar o estado febril, como irritabilidade, sonolência fora do normal e até choro. Vale ressaltar, contudo, que a febre pode aparecer como um sintoma isolado, sem necessariamente deixar a criança prostrada ou irritada.

A temperatura retal é considerada a mais precisa para aferir a temperatura interna do organismo. Para medir, introduza o termômetro no reto a 5 cm no bebê por dois minutos. A temperatura axilar que, embora não seja tão precisa como a retal, satisfaz plenamente para propósitos clínicos. Para medir, enxugar a axila (se houver sudorese), colocar o termômetro na axila e manter o braço firmemente apertado no tórax por quatro minutos. Em dias muito quentes, fazer a leitura imediatamente após a retirada do termômetro.

  • +41:​ febre muito alta, em geral associada a um quadro de infecção bacteriana, roséola e outras doenças que necessitam de um cuidado mais próximo ou até internação da criança, pelo risco de desidratação e outras complicações.
  • 39,5 – 41: febre.
  • 37,5 – 39,5: ​hipertermia (ocorre em situações de excesso de agasalho, excesso de calor ambiental e até em alguns casos específicos de desidratação).
  • 36 – 37,5: ​temperatura normal.
  • – 35: hipotermia

Causas

  • Causa infecciosa bacteriana: é a causa mais comum de febre em bebês. Caracteriza-se por febre de mais de 39,4°C, especialmente acompanhada de tremores de frio.
  • Causa infecciosa viral: essa causa é mais prevalente do que a bacteriana. Este tipo de febre pode durar até 3 dias sem risco, pois o adenovírus causa febre um pouco mais prolongada.
  • Causa por doença reumatológica: uma causa rara.
  • Após tomar vacina: essa febre é passageira por ser uma resposta imune do bebê à vacina.
  • Causa por lesão na pele: os bebês também podem desenvolver febres após uma lesão na pele. Isso geralmente significa que há uma infecção.

A febre é um sintoma de uma doença, não uma doença em si. Geralmente as crianças têm febre quando o sistema imunológico está combatendo uma infecção.

Sintomas

ISTOCK

A médica Marcia Bahia diz que o sintoma que define febre em bebês é essencialmente o aumento de temperatura. Outros sinais e sintomas, contudo, podem também estar presentes e indicar a etiologia da febre e suas consequências. Confira abaixo:

  • Sintomas gripais apontam para uma possível infecção de vias aéreas.
  • Diarreia e vômitos indicam alterações do trato digestivo.
  • Rigidez de nuca presente em alguns casos de meningite.

Em relação às alterações fisiológicas do organismo em resposta à febre, o bebê pode apresentar taquipneia (aumento da frequência de respirações), taquicardia (aumento da frequência dos batimentos cardíacos) e sinais de desidratação (urina muito concentrada, baixa de apetite, sonolência, etc).

Casos de emergência

Alguns pais temem que as febres sejam perigosas, mas quase nunca são. Mesmo assim, existem casos em que a febre pode ser um alerta grave para o bebê. Leia abaixo os casos mais comuns:

  • Febre em recém-nascidos (até 28 dias) – indicação clara de internação e investigação imediata da causa da febre.
  • Febre acima de 39,4°C ou temperatura axilar abaixo de 36°C.
  • Quando o bebê apresenta-se toxêmico, que significa irritabilidade alternada com sonolência, apatia, letargia, anorexia, gemência, baixa disposição e fraqueza.
  • Quando a febre dura mais que 3 dias, indicando possível agente infeccioso bacteriano.

É imprescindível procurar assistência médica em qualquer um desses casos. Chame um médico ou vá imediatamente para um hospital.

Tratamentos

  • Banho: pode-se recorrer a banhos mornos de imersão por 10 a 20 minutos, deixando-se a água esfriar lentamente, ou fricção delicada com esponja umedecida em água morna, fazendo-se essa fricção em partes sucessivas do corpo num total de 20 a 30 minutos.
  • Hidratação: estimular a criança a tomar líquidos, principalmente água.
  • Retirada de agasalhos: utilizar roupas leves, manter o ambiente ventilado. Nas horas mais agradáveis do dia, a criança pode ficar ao ar livre, sem exposição direta ao sol.

Vale destacar que a água fria pode causar calafrios e tremores que, além do desconforto, aumentam a temperatura. Não coloque a criança febril com convulsão na banheira nem adicionar álcool na água. O álcool pode ser absorvido pela pele e causar toxicidade sistêmica e, por isso, nunca deve ser utilizado.

Perguntas frequentes

ISTOCK

Pensando nas dúvidas mais frequentes de mães, pais e cuidadores em relação a febre em bebês, entrevistamos a clínica geral Marcia Bahia (CRM-MG 65221). Leia a entrevista abaixo:

1. Qual a gravidade de um bebê com febre?

É importante salientar que a causa mais comum de febre em bebês acima de 1 mês é viral, a famosa “virose”, que é tratada com medidas e medicamentos que aliviam os sintomas, sendo o próprio corpo do bebê o responsável pela cura da doença. Bebês com febre que apresentam os sinais de alerta descritos acima devem ser encaminhados ao serviço médico para avaliação da etiologia da febre e para realização de exames complementares necessários.

2. Bebê com febre pode dormir? Por quê?

Pode! A criança com febre em geral está mais indisposta e o sono é comum. Deve-se ficar atento a temperatura da criança, porém em casos não graves, nem sempre é necessário acordar o bebê para dar o antitérmico. O maior medo em relação ao sono é sobre a convulsão febril, mas, como dito acima, ocorre em casos específicos e, se um bebê já passou por uma febre acima de 38,7°C e não convulsionou, dificilmente ele apresentará essa alteração.

3. Vacinas podem causar febre nos bebês? Se sim, o que devo fazer?

Podem. As vacinas são pequenos “pedaços” modificados do vírus ou bactéria que geram uma resposta imune no bebê e o deixa capaz de combater essas infecções, caso ele tenha contato com elas algum dia, porém sem gerar a doença em si. Em geral a febre é passageira e sem complicações e pode ser tratada com antitérmicos para conforto da criança.

4. Febre em bebês pode indicar dente nascendo? Se sim, o que devo fazer?

Pode. Estudos mostram que há associação entre febre e dente nascendo, porém em geral essa febre é baixa e melhor acurada pela temperatura retal. Sendo febre um sintoma isolado, junto ao nascimento dos dentes, pode-se tratar o bebê normalmente com antitérmicos, para conforto da criança. Em geral a febre associada com a erupção dentária é baixa e sem complicações.

5. O que fazer se um bebê de 6 meses tiver febre? E de 1 ano?

Crianças de 3 a 36 meses apresentam basicamente as mesmas etiologias infecciosas que cursam com febre, sendo as virais as principais. O passo inicial é sempre tentar confirmar a febre, medindo a temperatura da criança, e medicá-la para conforto. É importante também manter a criança hidratada e oferecer alimentos que ela aceite, mas sem forçar (falta de apetite é comum). Febres de origem viral duram no máximo 3 dias e quase sempre são acompanhadas de um quadro mais leve, sem complicações. Quando a febre ultrapassa 3 dias e/ou a criança tem sinais de alerta, uma investigação mais minuciosa deve ser realizada. É importante que as crianças sempre sejam avaliadas por um médico, para garantia de quadro leve, com avaliação dos sinais vitais e predição de complicações, ou para identificação de quadro grave que necessita de tratamento mais específico. A conduta em relação à febre em bebês depende de vários fatores, como exposição da criança a alguém doente, estado vacinal do bebê, estado imunológico do bebê, resposta à infecção, capacidade de se manter hidratada, entre outros. Nesse ponto, é importante que uma criança com febre nessa faixa etária seja sempre avaliada por um médico.

6. Fale um pouco sobre as consequências da febre, como desidratação e convulsão febril.

A desidratação ocorre com frequência em bebês com febre e deve ser prevenida com a hidratação oral adequada ou mesmo hidratação venosa, quando necessário.

A convulsão febril é um quadro raro, geralmente associado à febre de instalação súbita com temperatura acima de 38,7ºC, em crianças de 6 meses a 3 anos e geneticamente predispostas. Sabe-se que a convulsão febril não acarretam risco de lesão cerebral nos bebês, apesar de ser um evento indesejável.

Como vimos durante o texto, febre significa que o sistema imunológico está trabalhando duro para combater uma infecção. Os cuidadores podem confortar o bebê e tratar os sintomas com as sugestões de tratamento que demos acima. E o mais importante, não medicar sem consultar um médico. Procure seu/sua pediatra, ele é o profissional que saberá melhor te orientar.

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