Arte & Cultura

Luthiers de Brasília: amor pela música e garantia de sobrevivência

Inspiração em ídolos do rock levou Wandler Cunha a adotar a profissão como modo de vida.Durante as férias em Fortaleza, em 1963, o manauara Wandler Pereira da Cunha ouviu um som que mudaria a vida dele. Era ninguém menos que os Beatles tocando na rádio. O som da guitarra dedilhada por George Harrison fez com que o jornalista, à época com 16 anos, se tornasse um apaixonado por rock. “Quando ouvi aquela guitarra pela primeira vez, decidi que queria aprender a tocá-la. Ao vê-los na televisão tocando aquele instrumento senti paixão à primeira vista pelos Beatles”, destaca Wandler.
O amor pelo instrumento se transformou em profissão mais de 20 anos depois. Sem dinheiro para comprar a sonhada guitarra Rickenbacker, fabricada nos Estados Unidos, Wandler aprendeu o ofício de luthier para ter em mãos uma réplica da guitarra do ex-Beatle. “Achei que nunca teria aquela guitarra. Foi aí que me tornei aprendiz de um fabricante de instrumentos em Manaus, o Rochinha. Com ele, aprendi muita coisa e assistia a cada etapa”, ressalta Wandler, que, anos depois, aprimorou as técnicas observadas em um curso com o luthier brasiliense Eduardo Brito.
O sonho de ter a guitarra em mãos foi conquistado após longas etapas: durante o curso ele aprendeu a fabricar violões e, depois de muita prática, partiu para a almejada construção de um dos principais símbolos do rock.
“Meu professor disse: ‘Se você aprender a construir violões não vai ter dificuldade de fabricar guitarras’. A fabricação de violões é muito mais complexa e me deu a segurança necessária para partir ao próximo passo”, avalia Wandler, que em 2013, aos 54 anos, conseguiu realizar o desejo de adolescente com uma réplica do equipamento.

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