Amor e Sexo Beleza Conversa de Mãe

Meu filho me flagrou fazendo sexo, e agora? Veja o que especialistas têm a dizer

A solução mais indicada é a conversa franca; contudo, é sempre possível evitar que o fato aconteça

Para muitos pais, serem flagrados  fazendo sexo pelos filhos é das maiores preocupações que poderiam ter. As reações, caso isso aconteça, não podem ser nem sub ou superestimadas – e, embora manter a porta do quarto fechado seja sempre aconselhável, assim como ensinar a bater antes de entrar, a intimidade sexual não deve ser alterada em função deles, diz a psicóloga Paula Caruso Lourenço Leite, da Ser e Conhecer Psicologia. “Isso porque ANTES DE SEREM PAIS, JÁ ERAM UM CASAL, não é?”, coloca.

 

PARA NÃO SER PEGO DE CALÇA CURTA!

Segundo Tatiana Leite, psicóloga especializada em terapia familiar e de casal e sexualidade humana, existem alguns cuidados que podem ser tomados, como a UTILIZAÇÃO DE UMA BABÁ ELETRÔNICA no cômodo do pequeno. “Se criar esse hábito, ele irá crescer entendendo que cada um tem seu espaço”, fala. Aliás, é fundamental estabelecer a privacidade, para que o par tenha um tempinho a sós e possa curtir um ao outro. “Sou a favor de construir ambientes e não transformar o lar somente no LUGAR DE ‘LAZER DA CRIANÇA’, COM BRINQUEDOS ESPALHADOS POR TODOS OS CANTOS. Com essa ideia desde cedo, fica mais fácil lidar com diversas situações”.

Caso haja o flagra em um momento inapropriado, vale conversar abertamente sobre o fato, sem ter vergonha ou como se fosse algo "sujo" FOTO: thinkstock

CASO HAJA O FLAGRA EM UM MOMENTO INAPROPRIADO, VALE CONVERSAR ABERTAMENTE SOBRE O FATO, SEM TER VERGONHA OU COMO SE FOSSE ALGO “SUJO” FOTO: THINKSTOCK

Paula recomenda, também, evitar que todos durmam juntos. “E, principalmente, na mesma cama. Sei que isso pode ser uma maneira de ACOLHIMENTO DA CRIANÇA COM MEDO OU CASUALMENTE DOENTE, mas não se pode perder de vista que ela pertence aos adultos e visitas constantes podem interferir na convivência íntima deles”. A cama tem essa simbologia. Além do mais, as relações devem ocorrer sempre que a garotada estiver fora de casa ou dormindo – certifique-se do fato, só por precaução, ela reforça.

CULPA DO BURACO DA FECHADURA

Se de todo jeito não for viável “impedir” que os olhinhos alheios se deparem com a situação, as duas profissionais dão algumas dicas sobre como agir, conforme a faixa etária em questão:

ATÉ OS 4 ANOS: não entendem o que está acontecendo e podem até associar o ato com uma agressão. “É essencial esclarecer que está tudo bem, que o PAPAI E A MAMÃE ESTAVAM NAMORANDO”, Paula coloca. “Não adote uma postura de vergonha ou de que ‘estamos fazendo algo errado’, COMO SE O SEXO FOSSE ALGO SUJO. Haja com naturalidade e não grite, isso pode assustar. Se for no meio da noite e a criança acordou desnorteada, às vezes ela estava querendo colo, água ou mesmo ir ao banheiro. Então, antes de se explicar, pergunte o que gostaria”, pontua Tatiane.

DE 5 A 9 ANOS: são curiosas sobre o assunto, porém, normalmente, não gostam tanto de abordá-lo. Sendo assim, caso surja algum questionamento, atenda-o de maneira simples e carinhosa, sem muitos detalhes.

É importante que a privacidade do casal seja mantida, mesmo com as crianças em casa FOTO: thinkstock

É IMPORTANTE QUE A PRIVACIDADE DO CASAL SEJA MANTIDA, MESMO COM AS CRIANÇAS EM CASA FOTO: THINKSTOCK

DE 10 A 12 ANOS: já sabem o que está ocorrendo e, frequentemente, sentem nojo ao pegarem os responsáveis no meio da atividade. “Converse e exponha que isso é saudável em todos os relacionamentos adultos”, Paula reforça. “Os pais, às vezes, têm receio de falar ouDEMONSTRAR O AFETO COM BEIJOS E ABRAÇOS PERTO DOS FILHOS por estarem, de algum jeito, incentivando. Ao contrário, DIALOGAR EM FAMÍLIA SOBRE TODOS OS ASSUNTOS É PREVENÇÃO”, Tatiana enfatiza.

DE 13 A 17 ANOS: “muitas vezes, os ADOLESCENTES SE DIVERTEM AO VER OS PAIS TENDO RELAÇÃO; pode causar ansiedade e desconforto”, Paula comenta. Do mesmo modo, o bate-papo franco é a solução mais indicada.

POSSIBILIDADE DE TRAUMA

A circunstância pode sim causar traumas – “os quais podem ser levados por toda a vida,PREJUDICANDO NO FUTURO A PRÓPRIA SEXUALIDADE, EM ALGUNS CASOS, SE RETRAINDO E, EM OUTROS, SE DOANDO DEMAIS”, ela continua. Diante de mudanças no comportamento como isolamento, agressividade, pesadelos e, ainda, regressão (por exemplo,INFANTILIZANDO A FALA, VOLTAR A FAZER XIXI NO LENÇOL, etc.) procure a ajuda de um profissional para orientação e superação.

SAUDÁVEL E NORMAL

“O carinho, aquele abraço, o beijo de boa noite, o olhar e o afeto vão formando o amor!”, Tatiana aponta. “Eu acredito na importância dessas demonstrações na frente dos filhos, e com eles, para que possam sim usar como modelos e repertórios em situações do dia a dia”. E, independentemente da idade, é sempre bom que se trate a respeito do sexo.”Os mitos, tentativas de fugir do tema ou qualquer outra desculpa inventada devem ser evitados para não confundir ou, pior, criar crenças limitantes neles”, Paula conclui.

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