Carreira & Finanças

Quer empreender? Fique por dentro dos cuidados necessários para abrir o seu negócio em época de crise

O primordial é identificar uma boa oportunidade e ajustá-la às necessidades do cliente que está disposto a comprar nesse momento

O sol brilha para todos. E, mesmo que ele pareça ficar meio tímido em épocas de incerteza econômica, ainda há oportunidades para prosperar. Segundo Cristina Redis, consultora de administração do SEBRAE SP, não é arriscado abrir uma empresa neste período, assim como não o é em outras ocasiões também: “EM QUALQUER SITUAÇÃO, É NECESSÁRIO FAZER UM PLANO DE NEGÓCIOS”, ela afirma. As recomendações nesse sentido estão relacionadas, principalmente, à escolha certeira: tipo de serviço ou produto a ser lançado/vendido. “NÃO DÁ PARA IGNORAR A ECONOMIA. REALMENTE, O PODER AQUISITIVO DAS PESSOAS CAIU”, complementa. Sendo assim, e partindo desses princípios, o que é necessário para ter sucesso nessa jornada e começar com o pé direito?

PRIMEIROS PASSOS

Existem dois TIPOS DE EMPREENDEDORES: os primeiros são os que, muitas vezes, ainda estão trabalhando formalmente, visualizam uma brecha interessante no mercado, e focam os seus esforços para serem os seus próprios chefes. Já os outros são aqueles que perderam o emprego e, como não ENXERGAM OUTRA POSSIBILIDADE DE GANHAREM DINHEIRO,PARTEM PARA A ABERTURA DE UM NOVO PROJETO. “Só o fato de isso vir de uma necessidade, tem avaliar se é realmente uma oportunidade que trará resultados positivos”, Cristina aconselha. “O QUE DÁ INÍCIO AO EMPREENDEDORISMO É A AFINIDADE COM O NEGÓCIO PRÓPRIO”, comenta. Para ela, não adianta mergulhar em algo com o que você não se sinta confortável ou não tenha o menor prazer de lidar – “a chance de dar certo é bem menor”.

ABRIR UM NEGÓCIO REQUER INVESTIMENTO PLANEJADO E UMA IDEIA QUE ESTEJA VINCULADA À NECESSIDADE DO CONSUMIDOR FOTO: THINKSTOCK

HABILIDADES PARA A CRISE

Segundo a consultora, o mais importante a ser valorizado numa época em que nem todo mundo está disposto a sair gastando por aí é observar e identificar, claramente, O VÍNCULO QUE O PRODUTO OU SERVIÇO TERÁ COM O CLIENTE. Na sequência, é ESTUDAR OS ATUAIS CONCORRENTES,VERIFICAR O QUE ELES OFERECEM E ENCONTRAR O SEU DIFERENCIAL.Até mesmo uma análise sobre os fornecedores conta para verificar até que ponto haverá dependência deles, as NEGOCIAÇÕES VIÁVEIS, e o quanto essas questões pesarão nas considerações de continuar adiante ou não.

INVESTIR QUANDO OS OUTROS ESTÃO COM MEDO

Uma vez que a proposta inicial já tenha sido traçada e organizada, há que se pesquisar o quanto será necessário de investimento, considerando todas as ESTIMATIVAS DE GASTOS E SAÍDA DE FUNDOS (COMO AS AÇÕES DE DIVULGAÇÃO E MARKETING). Além disso, nesta etapa começa a concepção da companhia em funcionamento, juntamente com aEXPECTATIVA DE FATURAMENTO. “No final deste processo, o plano de negócios vai indicarQUANDO SE ATINGIRÁ UM PONTO DE EQUILÍBRIO (NO QUAL A RECEITA BANCA A EMPRESA) e, depois, começará a dar lucro”, a especialista conclui.

SER PARTE DE UMA SOCIEDADE NUM NOVO EMPREENDIMENTO PODE DAR MUITO CERTO, CONTANTO QUE ISSO SEJA MUITO BEM PLANEJADO FOTO: THINKSTOCK

BUSCANDO OS MELHORES RECURSOS DISPONÍVEIS

Cristina conta que, EM FUNÇÃO DA RETRAÇÃO ECONÔMICA, A INADIMPLÊNCIA CRESCEU, LEVANDO AO AUMENTO DOS JUROS. Sendo assim, cautela para encontrar as melhoresLINHAS DE FINANCIAMENTO é sempre recomendável: “tem o Banco do Povo, que facilita empréstimo para microempreendedor individual”, pontua. Se o projeto for na área de inovação, ela cita a Agência Desenvolve SP, que incentiva novas pesquisas por de juros mais baixos. Buscar ajuda é essencial, e o SEBRAE surge como um ótimo canal para sanar dúvidas e obter orientações para que o NEGÓCIO SAIA DO PAPEL DE MANEIRA EFICIENTE. Pensar numa SOCIEDADE COM MAIS AMIGOS pode se apresentar como uma boa ideia. Estabelecer quais são as regras do jogo, tanto no recebimento dos rendimentos quanto na divisão dos prejuízos, é primordial para evitar conflitos num futuro próximo.

USAR O FUNDO DE GARANTIA numa eventual demissão pode servir para quitar um boa parcela (ou custo integral) do capital que uma atividade por conta própria demandará. Vale reforçar, justamente, que o balanço de mercado servirá de apoio para calcular a viabilidade de sacar esse montante. “Se você não tiver uma visão de retorno, talvez seja melhor deixá-lo do jeito que está. O plano de negócios que vai te dizer isso”, ela enfatiza.

NÃO BASTA EMPREENDER, TEM QUE SER GESTOR

Além de cuidar da parte operacional, o empreendedor precisa reservar um tempo para gerir o próprio negócio FOTO: thinkstock

ALÉM DE CUIDAR DA PARTE OPERACIONAL, O EMPREENDEDOR PRECISA RESERVAR UM TEMPO PARA GERIR O PRÓPRIO NEGÓCIO FOTO: THINKSTOCK

“Paralelamente ao plano, você tem a gestão: tem que estar sempre atento às variáveis externas, para que possa aproveitar outras oportunidades e se blindar contra ameaças”, coloca a profissional. “Tem gente que entra com uma boa ideia e acha que ela vai se perpetuar. Mas não!”, ressalta. “O MERCADO ESTÁ SEMPRE SE MOVIMENTANDO (PRINCIPALMENTE AGORA) E TEM QUE ESTAR ESPERTO PARA SE ADEQUAR A ELE”. Reservar um tempo do dia para fazer as análises do que está acontecendo, GERIR OS PROBLEMAS INTERNAMENTE e não se preocupar apenas com a operação, constituem algumas dicas para não ser levado pelas oscilações e reverter possíveis quadros negativos (sem ir à falência antes mesmo de engrenar).  Também, separar os ganhos como pessoa física e jurídica colabora para saber os limites de retirada e a DEFINIÇÃO DO PRÓ-LABORE (ou seja, o salário do empreendedor). Atuar para fidelizar os clientes já conquistados pode ser ótimo para manter um fragmento dos dividendos e, inclusive, criar um meio de comunicação com outros que venham a se interessar também; afinal, FREGUÊS SATISFEITO FALA BEM DA MARCA, e a indica para os mais próximos não é mesmo?

A PACIÊNCIA É UMA VIRTUDE 

“Nos primeiros meses É NORMAL A EMPRESA NÃO FATURAR O SUFICIENTE PARA COMPENSAR A SUA ESTRUTURA”, Cristina conta. “Pode demorar um pouquinho: 7, 8 meses ou mais!”. Desse modo, você precisa de um valor complementar para se sustentar até lá; isso se soma à quantia pedida ao banco, por exemplo, na hora de contrair a dívida, ou no capital de giro, caso já disponha de algum sobrando antes. De qualquer maneira, é preciso SEGURAR UMA RESERVA, PARA PROTEGER EVENTUAIS NECESSIDADES – e isso será em razão do tipo de empreendimento e risco envolvido, de acordo com a consultora. “Quanto mais você conhece do negócio, mais reais as informações do planejamento serão”, finaliza.

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