Conversa de Mãe

Sem preconceitos: conheça mitos e verdades relacionados ao parto normal

Antes de realizá-lo, é necessário esclarecimento com o médico especialista

A ESCOLHA DO PARTO AINDA GERA MUITAS DÚVIDAS, TABUS E MEDOS, principalmente quando se trata do normal. De acordo com o obstetra Dr. Paulo Noronha, as mulheres são desencorajadas a dar à luz desse modo ao longo do pré-natal, em função de algumas histórias criadas e reforçadas com o passar do tempo. “Tudo o que é dito vai minando a confiança delas, que acabam acreditando que o próprio corpo não é bom para isso”, comenta. “A paciente precisa estar munida de muita informação e entender que o parto é dela – e não do médico. Ela tem que buscar um profissional que a oriente de forma correta, discuta as fases envolvidas, para que fique bem consciente de que pode ter o seu parto normal”.

O médico explica que existem, realmente, POUCAS INDICAÇÕES PARA UMA CESÁREA ELETIVA: apenas quando a placenta está baixa, o FETO ESTÁ NA POSIÇÃO CÓRMICA(atravessado) e nas vezes em que há urgência, como o deslocamento prematuro da placenta ou o PROLAPSO DO CORDÃO (em que ele se desloca para dentro do canal de nascimento, à frente da cabeça da criança).

De qualquer maneira, o especialista prega a autonomia das mamães com relação a esse momento. “Se elas forem bem esclarecidas sobre os RISCOS DA CESARIANA E AS VANTAGENS DO PARTO NORMAL, e ainda assim preferirem a primeira, há que se respeitar”, enfatiza. “Aliás, quando a gente fala em HUMANIZAÇÃO, É LEVAR EM CONTA O DESEJO DAS MULHERES e dar todo o suporte para que possam decidir juntamente com o médico o que seria melhor para cada situação”. Por isso, para que você tenha confiança na hora de fazer a sua opção, veja o que é verdade e o que é mito sobre o parto normal:

Cesáreas são cirurgias que demandam indicações reais FOTO: thinkstock

CESÁREAS SÃO CIRURGIAS QUE DEMANDAM INDICAÇÕES REAIS FOTO: THINKSTOCK

“SE O CORDÃO UMBILICAL ESTIVER ENROLADO NO PESCOÇO DO BEBÊ, NÃO É POSSÍVEL FAZER O PARTO NORMAL.”

MITO: “Isso não impede que o procedimento seja realizado”, Dr. Noronha avisa. Ao final da gestação, existe a possibilidade de o cordão se enrolar em torno dos braços, coxas, tronco e, mais frequentemente, pescoço. Mas, devido ao seu comprimento, ele não chega a apertar tais membros – e, com a movimentação do feto, isso tende a se desfazer. Claro que exames serão realizados para averiguar essa condição.

“PARTO NORMAL É MAIS DOLOROSO QUE A CESÁREA.”

MITO: “Primeiro de tudo, se a paciente entende que essa dor é amiga, que vai trazer um filho para os seus braços, ela consegue metabolizá-la melhor”, o profissional introduz. “A sensação nada mais é do que o ÚTERO CONTRAINDO PARA AJUDAR A IMPULSIONAR O BEBÊ PARA FORA”. Já o PARTO NATURAL, SEM ANESTESIA, analgésicos e intervenções médicas, costuma ser dolorido. Existem, no entanto, técnicas que trazem mais alívio, como a massagem, o banho de chuveiro, na banheira, ter liberdade de movimentos durante o processo, entre outras. Ele acrescenta também que a cesariana é indolor somente enquanto a mulher se encontra sedada. A recuperação costuma ser mais difícil para muitas.

É preciso que as grávidas sejam sempre bem esclarecidas a respeito dos tipos de partos FOTO: thinkstock

É PRECISO QUE AS GRÁVIDAS SEJAM SEMPRE BEM ESCLARECIDAS A RESPEITO DOS TIPOS DE PARTO FOTO: THINKSTOCK

“A MINHA BACIA É MUITO ESTREITA” OU “O BEBÊ É GRANDE DEMAIS PARA O PARTO NATURAL”.

MITO: “A paciente tem que entrar em trabalho de parto primeiro. E não tem nenhum exame muito fidedigno que fale para uma mulher que a bacia é estreita e que, assim, ela não vá conseguir o parto normal”, pontua.

 “O PARTO NATURAL ALARGA A VAGINA DE MODO QUE ELA NUNCA MAIS VOLTA AO NORMAL.”

MITO: “Os MÚSCULOS DA VAGINA E DO PERÍNEO (região entre a vagina e o ânus) se distendem para o parto e, depois, voltam ao normal”, Dr. Noronha ratifica.

“EM TODO PARTO NORMAL É PRECISO FAZER AQUELE CORTE EMBAIXO PARA FACILITAR A PASSAGEM DO BEBÊ.”

MITO: O corte cirúrgico no períneo (chamado EPISIOTOMIA) não é necessário. “Na verdade, isso não facilita a saída da criança”, informa o obstetra. Como mencionado acima, a região sofre um alongamento mas volta ao que era posteriormente.

“MEU PRIMEIRO FILHO FOI POR CESÁREA, ENTÃO O SEGUNDO NÃO PODE SER PELO PARTO NATURAL.”

Muitas mulheres não têm nem chance de entrarem em trabalho de parto e já realizam a cesárea eletiva FOTO: thinkstock

MUITAS MULHERES NÃO TÊM NEM CHANCE DE ENTRAR EM TRABALHO DE PARTO E JÁ REALIZAM A CESÁREA ELETIVA FOTO: THINKSTOCK

MITO: O medo, diz o médico, é que haja algum tipo de rompimento do útero depois de uma cesárea – uma inverdade, já que muitas pacientes entram em trabalho de parto mesmo depois dessa circunstância, sem intercorrência alguma.

“O TIPO DE PARTO NÃO FAZ A MÍNIMA DIFERENÇA PARA O BEBÊ.”

MITO:DURANTE O TRABALHO DE PARTO, O VÍNCULO ENTRE A MÃE E O BEBÊ É MAIOR. Ao passar pelo canal vaginal, ele vai limpando seus pulmões da secreção e nasce respirando melhor”. Aqueles nascidos de cesariana, segundo o doutor, recebem uma dose de anestesia maior e, em uma grande quantidade de casos em que a cirurgia é eletiva, eles são retirados antes do tempo de estarem completamente formados.

“O RETORNO ÀS ATIVIDADES É MAIS RÁPIDO EM MULHERES SUBMETIDAS AO PARTO NORMAL.”

VERDADE: “É muito mais rápido mesmo, porque elas não têm o corte na sua barriga limitando as suas atividades. Em geral, em torno de 20 a 30 dias, tudo já voltou ao normal”, informa.

“FALTOU DILATAÇÃO E POR ISSO TEVE QUE SER CESARIANA.”

MITO: “Muitas das vezes, essas mulheres não tiverem chance de entrar em trabalho de parto. O que faz o colo do útero dilatar são as contrações”, ele diz. “A maioria passa da data provável do parto, então tem que aguardar o tempo do corpo estar preparado e espontaneamente dar esse sinal”.

O trabalho de parto pode ser rápido ou mais lento - mas não deve ser impedido, a não ser que a circunstância exija FOTO: thinkstock

O TRABALHO DE PARTO PODE SER RÁPIDO OU MAIS LENTO – MAS NÃO DEVE SER IMPEDIDO, A NÃO SER QUE A CIRCUNSTÂNCIA EXIJA FOTO: THINKSTOCK

“QUANDO O BEBÊ ESTÁ SENTADO NÃO DÁ PARA TER PARTO NORMAL.”

MITO: “Não é uma contraindicação para parto normal”, alerta. Ou sai a perna ou o bumbum primeiro, sem necessidade de cirurgia.

“QUANDO A PLACENTA É CONSIDERADA DURA OU ENVELHECIDA, A CESÁREA DEVE SER REALIZADA”

MITO: “Uma placenta mais envelhecida requer que o feto seja mais vigiado com relação a sua vitalidade”, ele esclarece. Com 37, 38 semanas, ou mesmo depois da 40ª, o ultrassom pode revelar uma placenta mais velha. Se ela não apresentar riscos ao feto (como DIMINUIÇÃO DO LÍQUIDO AMNIÓTICO), e ainda estiver funcionando, o parto pode ser normal.

“O PARTO NORMAL DEMORA DEMAIS.”

DEPENDE: O obstetra relata que o trabalho de parto deve ser considerado em duas etapas e, contanto que mãe e criança estejam evoluindo tranquilamente, com boa vitalidade, o tempo não deve ser ponderado. Na primeira fase, denominada latente, a dilatação da grávida vai de 0 a 6 cm; na seguinte, ativa, de 6 cm até o nascimento – o progresso pode ser bem rápido ou mais lento.

“EU JÁ FIZ CIRURGIA PARA RETIRADA DE MIOMA UTERINO E NÃO POSSO TER PARTO NORMAL.”

VERDADE: Esse caso específico requer muita orientação no que diz respeito aos riscos compreendidos. Segundo o Dr. Noronha, durante o parto normal, pode haver uma RUPTURA DO ÚTERO e a necessidade de uma cirurgia de urgência. Comumente, quem tem esse tipo de histórico acaba sendo aconselhada a escolher a cesárea mesmo.

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