Conversa de Mãe

Seu cão não pode ver uma porta aberta que sai correndo? Veja como resolver

Basta abrir a porta da frente para que o seu CACHORRO SAIA QUE NEM UM FOGUETE, CORRENDO LIVRE PARA A RUA? Se isso acontece toda vez que alguém precisa entrar ou deixar a casa, é sinal de que algo anda errado com relação ao comportamento dele. E consequências piores podem surgir, como ATROPELAMENTOS.

“Na natureza não há portas, muros e barreiras, portanto, o CÃO É LEVADO POR INSTINTO a inspecionar o perímetro ao redor de seu território e se atualizar sobre as ‘novas notícias’ que outros indivíduos deixaram”, conta Denys Fehr, fundador do Pets do Bem, em parceria com a Kions – Adestramento & Equipe de Passeios. “Por outro lado, ele sente a necessidade de se movimentar, se exercitar e atualizar a demarcação da área que habita ou mesmo buscar um lugar onde se sinta confortável ou protegido. Quanto menos acostumados estão com o local ou a situação, mais podem “fugir”. Logo, isso acontece bastante com os novos e menos com os mais velhos”, complementa.

Cachorros bagunceiros são sempre muito cheios de energia para gastar FOTO: thinkstock

ENERGIA PARA DAR E VENDER

“Normalmente, os fujões são cachorros muito CHEIOS DE ENERGIA PARA GASTAR”, acredita Emilly Pedro Antão, bióloga, adestradora e sócia do pet shop O Segredo dos Pets. “É comum que as pessoas escolham (na compra ou adoção) aqueles mais ‘bagunceiros’ da ninhada – os alegres, mais brincalhões. E nem sempre é o ideal para a família, que pode não ter tanto tempo disponível assim para cuidar, passear, dar atenção”. Para ela, um ANIMALZINHO DE ESTIMAÇÃO TEM QUE FAZER PARTE DA ROTINA.

DE FASE EM FASE

De acordo com a mesma especialista, é possível notar a AGITAÇÃO e a tendência mais intensa desses tipos de caninos LOGO NA INFÂNCIA. “Nos três, quatro primeiros meses, já dá para perceber essa energia louca, alta”. Contudo, tem aqueles que permanecem dessa maneira até a vida adulta. Sendo assim, é essencial que o DONO CONHEÇA O PRÓPRIO BICHINHO.

MAUS HÁBITOS

Para Livia Romeiro, especialista em comportamento canino do Vet Quality Centro Veterinário 24h, há certas atitudes dos proprietários que podem contribuir para essa tentativa de fuga: “Há aquelas pessoas que GOSTAM QUE O CACHORRO CUMPRIMENTE AS VISITAS: elas abrem a porta e ele sai para pular, cheirar aqueles que estão chegando”. No que isso acontece, o bichinho recebe carinho, atenção e conecta aquilo ao fato de sair de casa. “É importante fazê-lo ENTENDER SOBRE O ESPAÇO ALHEIO”, ela reforça.

AJUSTANDO AS CORRIDAS

Uma ótima maneira de minimizar o comportamento de cães fujões e bagunceiros é levá-los para passear e brincar com eles FOTO: thinkstock

Segundo a mesma profissional, o ideal seria que, DESDE FILHOTINHO, SE ENSINASSEM ALGUNS COMANDOS DE CONTROLE, assimilados pela REPETIÇÃO CONSTANTE. “O que a gente faz para evitar que cães tenham essa mania: evitar que ele passe por você, fazendo umaBARREIRA FÍSICA COM O PRÓPRIO CORPO. Empurre-o, fale ‘não’. Pode até emitir algum som que o faça lembrar de algo negativo, para que não queira sair”, comenta. “Outra coisa que ajuda é: na hora em que se COLOCA COLEIRA NELE PARA DAR UMAS VOLTINHAS, sempre, sem exceções, O DONO TEM QUE SAIR ANTES QUE O CÃO. O dono sai e o convida a fazer o mesmo por um comando, um gesto”. De qualquer maneira, todo cuidado é pouco: “Mesmo treinado, pode ser mais recompensador ir atrás de algum estímulo no lado externo do que obedecer”, alerta.

A HORA MAIS ESPERADA DO DIA

Já a bióloga e adestradora Emilly reforça que ESTIPULAR UM HORÁRIO FIXO DE PASSEIO E caminhada pelo bairro é uma das soluções mais necessárias: “O animal vai associar que não é para ele fugir, porque é MUITO MAIS LEGAL PASSEAR COM O DONO, estar junto,COMPARTILHANDO DAS COISAS NOVAS. Vai entender que o dono estará ali para protegê-lo (principalmente no caso de haverem outros cachorros)”. Afinal de contas, toda energia acumulada precisa ser gasta de maneira eficiente – ela, inclusive, compara o fato de os humanos não conseguirem ficar o dia inteiro trancados em casa; por que um pet seria capaz?

FOCINHO CHEIRADOR

“Normalmente, os CACHORROS QUE FOGEM SÃO INSEGUROS – querem mesmo conhecer o novo, mas com medo”, Emilly continua. “São CHEIROS QUE SE RENOVAM A TODO MOMENTO, isso vai ser sempre novo para eles”, enfatiza. É necessário deixá-los se ambientarem e tomarem o próprio tempo nessa atividade.

Cães fujões sempre encontram meios de escapar para a rua FOTO: thinkstock

PERNAS PARA QUE TE QUERO

Correr ou não correr atrás? “HÁ ANIMAIS COM PERFIL INDEPENDENTE e, por isso, podem não voltar durante a exploração do terreno ‘novo’. Tendo em vista o número de CÃES QUE SE PERDEM, algumas empresas investem em LOCALIZADORES POR GPS INTEGRADOS EM MULTIPLATAFORMAS. Devemos nos armar de recursos como telas, cercas, maçanetas redondas, ferrolhos, portinholas, coleiras e guias de boa qualidade, entre outros, para dificultar o escape”, ressalta Denys Fehr, do Pets do Bem e Kions.

Emilly aconselha, inclusive, a NÃO CORRER ATRÁS. “Alguns se sentem assustados, outros acham que é uma caçada, uma brincadeira. O ideal é sempre tentar atrair com algo legal: um bifinho, comida, algo muito valioso, para que ele venha de forma amigável”. Uma vez pertinho, é só trazê-lo de volta para o lar. “OS CACHORROS NÃO TÊM ESSA MEMÓRIA LONGAque a gente acha. É só dar um tempinho para que eles esqueçam e sair novamente para dar um passeio bacana”. Durante esse período, ELOGIE O BICHINHO, converse com ele, crie uma atmosfera divertida. Quando tiver terminado, acaricie e RECOMPENSE-O COM UM PETISCO, a fim de criar esse hábito e lógica na mente dele.

UNS MAIS, OUTROS MENOS?

“Particularmente, não gosto de racificar defeitos e qualidades em nenhuma questão, quer seja de saúde, comportamento, capacidade intelectual etc.”, esclarece Denys. “É observado que, QUANTO MAIS O ANIMAL (DE TODAS ESPÉCIES) SE SENTE APRISIONADO, MAIS PROPENSO A ATITUDE DE FUGA ELE ESTÁ. A faixa etária pode amplificar essa hipótese, pois em cada uma das fases – as quais têm necessidades particulares – e, em conjunto a vários fatores de vivência daquele indivíduo, leva à resposta desse impulso”.

A BAGUNÇA ESTÁ EM TODO O LUGAR

É bastante comum a ASSOCIAÇÃO DE QUE CÃES QUE FOGEM TAMBÉM SÃO BAGUNCEIROS. Mas não hiperativos, que fique clara a diferença. “Da mesma forma que nós diferenciamos nos seres humanos, adultos e crianças. Há cães mais ativos e outros menos”, aponta o profissional Denys. “Podemos observar seu comportamento e entender a respiração dele também, se está normal enquanto ele brinca ou se ele tem dificuldades em algum momento. Se sim, visite um veterinário”, recomenda.

Na hora de abrir a porta, faça uma barreira com o próprio corpo para que o cão se acostume a não escapar FOTO: thinkstock

DENTRO DA NORMALIDADE

“Existe um tênue limite entre o que é normal de um cão e o que passa a ser mau comportamento”, avisa a Livia. CAVAR BURACOS, ROER OBJETOS ou espalhar roupas, na verdade, são práticas esperadas de um pet. No caso daqueles que extrapolam o estipulado, a frequência deve ser observada. “O APRENDIZADO DE LIMITES é o mais importante para esses tipos. CRIAR ROTINAS E DETERMINAR ESPAÇOS que eles possam frequentar ajuda muito na melhor percepção do que pode ou não ser acessado”, indica. “Nada de pular nas pessoas ou sentar sobre elas, respeitar o espaço da mesa de jantar, por exemplo, e não ficar perto na hora da comida”.

Um bom caminho é OFERECER DISTRAÇÕES nesses momentos, ou propiciar que o pet se alimente ao mesmo tempo, em outro local da casa. “Quando o cão começa a passar dos limites, deve ser ignorado e até mesmo isolado, o que para ele é uma punição pior que qualquer bronca”, complementa.

ORGANIZANDO A ROTINA

Emilly preconiza que 90% das situações em que os cachorros são bagunceiros são resolvidas com passeios de qualidade (e constantes – tentando, ao menos, não diminuir a frequência ou duração), juntamente com brincadeiras – e brinquedos! Existem inúmeras opções diferentes no mercado e é bom variar: bolinhas, bichinhos de pelúcia, NYLON BONES, PET BALLS, todos são exemplos de novidades interessantes e acessíveis de compra.  A SOCIALIZAÇÃO COM OUTRAS PESSOAS E OUTROS CACHORROS é fundamental também.

NADA DE SER DURÃO

CASTIGO NÃO É LEGAL. FAZ COM QUE O BICHO TENHA MEDO da pessoa e não resolve o problema”, ela acrescenta. “TODA AGRESSIVIDADE TEM ALGUM GATILHO: quando a gente bate, repreende de uma forma muito grosseira, ele fica com medo, e não tem muita forma de se defender”. Com isso, vai acabar mordendo o agressor. “Ele precisa ter respeito por você. Entender quais são as regras da casa. As pessoas levam muito a sério uma coisa errada que o cachorro fez”, conclui.

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