Conversa de Mãe

Seu filho pode repetir de ano? Conheça os sinais de que ele precisa de ajuda urgente

Acompanhamento dos pais nesse sentido se faz mais do que necessário

O segundo semestre já começou e, se o RENDIMENTO ESCOLAR DO FILHO foi aquém no primeiro, é preciso cuidar para que ele não tenha que fazer tudo de novo. “Repetir o ano nunca é bom para a criança ou o adulto”, coloca Heloísa Santos, psicopedagoga clínica e institucional do Espaço Psicopedagógico da Penha (RJ). Para ela, em certos casos, o fato pode até levar ao desenvolvimento de transtornos e travas, em função da mudança de sala, ter “ficado para trás” em comparação aos antigos colegas, entre outras razões. Portanto, como saber se o seu pequeno está com dificuldades, e agora é a hora de ajudá-lo mais do que nunca?

 

NOTAS NO LIMITE DA MÉDIA

“A AVALIAÇÃO DOS PAIS, JUNTO COM A ESCOLA, ATRAVÉS DO BOLETIM É PRIMORDIAL”, conta Poema Ribeiro, psicoterapeuta da família e de relacionamentos. Notas sempre na média (ou abaixo dela) podem ser indicativos de que não está sendo possível acompanhar o ritmo de estudos (ou a metodologia aplicada). Nesse caso, o primeiro passo é uma CONVERSA DIRETA COM O PRÓPRIO PROFESSOR para esclarecer melhor o que está acontecendo.

Ficar sempre de olho no boletim escolar é uma maneira de saber se o filho está indo bem na escola FOTO: thinsktock

FICAR SEMPRE DE OLHO NO BOLETIM ESCOLAR É UMA MANEIRA DE SABER SE O FILHO ESTÁ INDO BEM NA ESCOLA FOTO: THINSKTOCK

FALTA DE VONTADE PARA FAZER O DEVER

“As distrações de hoje são inúmeras, e o acesso a elas é muito fácil. Se a CRIANÇA TIVER QUE FAZER A LIÇÃO DE CASA SOZINHA, ela acaba tendo um rendimento diferente”, a mesma profissional pontua. Pode dar preguiça para terminá-la e, cada vez mais, o que era para ajudar como um reforço depois do expediente escolar, se torna uma espécie de castigo. A presença dos responsáveis nesse momento serve como um estímulo para que não haja desistência e seu filho se mantenha firme nos seus deveres como estudante.

INSEGURANÇA AO RESPONDER QUESTÕES

Do mesmo modo Heloísa destaca que quando as dificuldades não são assistidas – principalmente no ambiente da aula – a CRIANÇA COMEÇA A DIZER SEMPRE QUE NÃO SABE. “Às vezes os professores têm a sensibilidade de perceber e colocar para perto, explicar novamente de outra maneira, usar ferramentas mais lúdicas, por exemplo”. A cobrança excessiva, nesse aspecto, pode deixá-la ainda mais retraída e piorar a situação, porque o conteúdo aumenta, é encadeado e, se não for bem assimilado, passa a apresentar falhas lá na frente. É recomendável também ter certeza de que tal PROBLEMA NÃO ESTÁ ASSOCIADO À VISÃO OU AUDIÇÃO.

INDISPOSIÇÃO PARA IR À ESCOLA

Dificuldade de acompanhar em classe resulta em acúmulo do conteúdo e possibilidade de repetência FOTO: thinkstock

DIFICULDADE DE ACOMPANHAR EM CLASSE RESULTA EM ACÚMULO DO CONTEÚDO E POSSIBILIDADE DE REPETÊNCIA FOTO: THINKSTOCK

SONO ALÉM DO NORMAL é outro fator que deve ser observado. Tanto uma especialista quanto a outra concordam que quando há muita relutância em acordar para ir ao colégio, isso pode significar que algo não anda bem por lá: às vezes a adaptação não está sendo bacana, a quantidade de alunos na classe chega a ser prejudicial de alguma forma, o cansaço devido a outras ocupações extracurriculares está muito grande e o pequeno não está dando conta de tudo, etc. A ATITUDE PODE FUNCIONAR COMO UMA VÁLVULA DE ESCAPE.

TIMIDEZ QUE CRIA BARREIRAS

A TIMIDEZ TAMBÉM PODE INFLUENCIAR NA PERFORMANCE ESTUDANTIL. Segundo a psicopedagoga, aqueles que têm essa característica podem não aceitar muito bem determinadas atividades por causa da própria introspecção. E, assim, não se envolver no que é dado em classe, não perguntar as dúvidas e ir acumulando esses tipos de contratempos. Se você observar que o boletim está vindo baixo por esse motivo, não deixe de procurar ajuda de um profissional da área psicológica, terapêutica ou pedagógica. Entupir de mais práticas a fim de tentar que o filho interaja mais, segundo ela, pode DESENCADEAR UM EFEITO REBOTE– e agravar o quadro.

CASOS MAIS SÉRIOS

Pais cumprem papel importante ao assistirem os filhos com a lição de casa FOTO: thinkstock

PAIS CUMPREM PAPEL IMPORTANTE AO ASSISTIREM OS FILHOS COM A LIÇÃO DE CASA FOTO: THINKSTOCK

Igualmente, DISTÚRBIOS COGNITIVOS, DE LINGUAGEM, DÉFICIT DE ATENÇÃO (TDAH), HIPERATIVIDADE E AUTISMO merecem prudência dos pais, pois influenciam diretamente na aquisição do conhecimento. Para alguns deles, é de se notar maior inquietação e grande dificuldade de concentração. De acordo com Heloísa, a DISGRAFIA – disfunção motora de escrever as palavras em continuidade, “uma letra seguida da outra, como se estivessem de mãos dadas” – tem sido bastante comum de acontecer de uns tempos para cá, posto que desde muito cedo os educandos são ensinados vários formatos de fontes (principalmente com o avanço da tecnologia), e não as absorvem com a maturidade exigida para isso.

ADIANTAR NEM SEMPRE É O MELHOR

A maturidade, justamente, é outro ponto que precisa ser levado em consideração, já que pode afetar o desempenho estudantil. Se uma CRIANÇA ESTÁ EM UM NÍVEL ABAIXO DO QUE O FREQUENTADO, ela possivelmente demorará mais a ter o mesmo aproveitamento que o resto que está na idade certa.

NÃO VAI DAR MESMO?

AULAS PARTICULARES, ACOMPANHAMENTO PSICOPEDAGÓGICO são sempre muito válidos para que não se percam os meses letivos. Poema acredita que, diante da impossibilidade de passar de série (mesmo que tenham sido usados diferentes recursos), é PREFERÍVEL PREPARAR O FILHO PARA A REPETIÇÃO, para que esta seja um processo menos danoso possível. E, já no início de janeiro, intensificar o apoio, trabalhando para que a aprendizagem seja mais adequada e eficiente.

 

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