Conversa de Mãe

Você pode! Saiba como repreender uma criança de forma construtiva e eficaz

Especialistas reforçam questão dos limites e exemplo familiar

Não existe FÓRMULA  PARA CRIAR OS FILHOS, afinal, eles são dotados de personalidade própria, assim como seus pais, com valores e referências pessoais no que diz respeito à educação.  É possível, contudo, REPREENDÊ-LOS DE MODO CONSTRUTIVO pelo comportamento inadequado, sendo esta a melhor via para o aprendizado.

“É fundamental, de qualquer maneira, os ADULTOS ENSINAREM OS LIMITES PARA SUAS CRIANÇAS”, introduz Christiane Cavalcante, psicóloga especialista em clínica comportamental. Para ela, o estilo mais adequado é o participativo: em que são impostas muitas limitações os pequenos, mas eles não deixam de receber afeto, e na mesma proporção.

VEM DE BERÇO

De acordo com Heloísa Santos, psicopedagoga clínica e institucional do Espaço Psicopedagógico da Penha (RJ), DESDE BEBÊ É PRECISO DIZER NÃO. “Achar graça de tudo que ele faz está errado. Os responsáveis alimentam atitudes que, mais tarde, poderão se transformar em pirraças e rebeldias, difíceis de serem controladas”.

Limites devem ser impostos desde cedo FOTO: thinkstock

LIMITES DEVEM SER IMPOSTOS DESDE CEDO FOTO: THINKSTOCK

Logo nos primeiros anos de vida, a ideia é falar – uma ou duas vezes – sobre o que está errado e, se o comando não for entendido, retirar o pequeno do lugar, distrai-lo com outra atividade ou um objeto, por exemplo, um brinquedinho, ou o que mais estiver à mão. “Senão, corre-se o risco de REFORÇAR A ATITUDE INAPROPRIADA. Uma vez que ele percebe que está tendo audiência, a tendência é a de continuar repetindo aquilo”, diz Christiane.

Não às medidas extremas

Ambas as especialistas concordam que partir para uma postura mais rígida é altamente prejudicial, tanto em curto quanto a longo prazo. Inclusive, MEDIDAS QUE USAM DO CASTIGO FÍSICO SÃO PROIBIDAS PELA LEI DA PALMADA que prevê, além disso, MULTA PARA OS AGRESSORES E PARA AQUELES QUE NÃO DENUNCIAREM OS CASOS. “Uma criança que apanha de seus pais ou VAI TER MEDO DO MUNDO ou vai odiar, e bater em todos”, Heloísa comenta. A dificuldade de fazer amizades e se relacionar futuramente são sequelas, tanto quanto possíveis problemas na aprendizagem

Nem o “gritar” é aconselhado: no momento em que é “aplicado”, apenas causa um susto e faz com que a ação seja parada. “Mas, na verdade, quem escuta não vê um motivo claro”, diz Christiane. “Às vezes a gente pensa que uma EDUCAÇÃO IMPOSITIVA é importante porque gera respeito; porém, O FILHO NÃO OBEDECE PORQUE AMA, e entende que a chamada é, de fato, ruim para ele – somente por puro temor”.

Crianças aprendem pelo exemplo e, em um ambiente de brigas, ela não vai aprender a controlar as emoções FOTO: thinsktock

CRIANÇAS APRENDEM PELO EXEMPLO E, EM UM AMBIENTE DE BRIGAS, ELA NÃO VAI APRENDER A CONTROLAR AS EMOÇÕES FOTO: THINSKTOCK

CONTE ATÉ TRÊS

A hora da raiva, do nervosismo não deve ser usada para disciplinar – jamais! Respirar fundo, beber um copo d’água, tomar banho… “Tudo é válido para que o pior não aconteça. Os ATOS E CONDUTAS DOS PEQUENOS SÃO REFLEXOS DA EDUCAÇÃO QUE ADQUIREM DA SUA FAMÍLIA, da reação dos adultos em situações como essa”, Heloísa ressalta. “O que se pode sinalizar sempre é: olha filho, eu estou muito nervosa com você, com o que fez, então, vamos conversar daqui a pouco”, Christiane complementa.

DURANTE A INFÂNCIA

Outra dica no momento da repreensão é NÃO SOLTAR AMEAÇAS SEM SENTIDO OU COERCITIVAS. “Se você não for já para a cama, nunca mais assistirá TV à noite”, a mesma profissional exemplifica. Tem que ter autocontrole! É bem diferente quando se clarifica o pensamento e estipula acordos: “você só vai poder ligar a TV depois que fizer a tarefa”. Avise sobre a CONSEQUÊNCIA QUE VIRÁ, caso o cumprimento não se dê nos conformes.

Menos ainda, é aconselhável dar respostas sarcásticas, que humilham, do tipo: “ah! Até que enfim você conseguiu tirar mais do que sete em uma prova; você é muito fraco, igual ao seu pai” – esses rótulos, definitivamente, não fazem bem, ela reforça. “O melhor é DIZER O QUE NÃO GOSTA NO DESEMPENHO DO OUTRO”.

Na adolescência, a conversa sincera e espontânea atua como facilitadora da educação FOTO: thinkstock

NA ADOLESCÊNCIA, A CONVERSA SINCERA E ESPONTÂNEA ATUA COMO FACILITADORA DA EDUCAÇÃO FOTO: THINKSTOCK

Mais um exemplo, é que HÁBITOS NOCIVOS PRECISAM SER ADVERTIDOS. “O seu filho deu um tapa no colega, xingou o irmão… Não basta falar: ah! Menino é sempre assim; isso é coisa de garoto”. Segundo Christiane, penalidades lógicas são bastante eficientes e têm que ser exercidas imediatamente, porque surtem mais efeito – como RETIRAR TEMPORARIAMENTE O QUE ELE GOSTA. Consistência é a palavra-chave ao adotar a técnica; não vale dar um prazo e, no fim, desistir, cortá-lo pela metade.

“Tenho o costume de orientar os pais no sentido de conversar com atenção, carinho e sinceridade. Muitos pensam que as crianças não entendem um assunto sério”, pontua Heloísa. “É necessário fazê-las entender que tais práticas não combinam com elas”. Torna-se essencial MOSTRAR INTIMIDADE E EMPATIA. “Dessa forma, você as atrai para o círculo familiar”, sugere.

JÁ NA ADOLESCÊNCIA…

Aliás, o mesmo posicionamento pode ser trazido para a fase da adolescência. O envolvimento com a realidade da garotada é primordial. “Seja um pai ou uma mãe acessível”, enfatiza Christiane. “É legal expor que você não era perfeita quando mais nova, que também errava” – os exemplos reais são sempre indicados. Tente não discutir, incentivar reações violentas, ou dar aquele “sermão”, com muita emoção ou vitimização. “Porque você me deixou magoada; você vai sair, mas vou ficar preocupada a noite inteira”, e frases parecidas. “A gente tem que ensinar e não entediar os filhos”, diz. O que funciona bem é negociar e, quando possível, flexibilizar: “vou pensar um pouco sobre o que me pediu e vamos conversar depois” – deixando bem definidos os resultados negativos em função de uma provável desobediência.

 

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